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((((* "O QUE VEM SEMPRE ESTEVE AQUI, A PAZ ESTA DENTRO DE TI E SO VOCE PODE TOCALA, SER A PAZ SHANTINILAYA, NADA EXTERNO LHE MOSTRARA O QUE TU ES. NADA MORRE POR QUE NADA NASCEU, NADA SE DESLOCA PORQUE NADA PODE SE DESLOCAR VOCE SEMPRE ESTEVE NO CENTRO, NUNCA SE MOVEU , O SILÊNCIO DO MENTAL PERMITE QUE VOCÊ OUÇA TODAS AS RESPOSTAS" *)))): "ESSÊNCIAIS" "COLETÃNEAS " "HIERARQUIA" "PROTOCÓLOS" "VÍDEOS" "SUPER UNIVERSOS" "A ORIGEM" "SÉRIES" .

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Serie: (67) A vida e os ensinamentos de Jesus - Pouco antes da crucificação

Serie: (67) A vida e os ensinamentos de Jesus - Pouco antes da crucificação

Esta série foi extraída do Livro de Urântia. Os 77 capítulos, mais de 700 páginas, que ocupam um terço do livro, dão dia a dia, toda a vida de Jesus Cristo desde sua infância. Dão 16 vezes mais informações sobre a vida e os ensinamentos de Jesus do que a Bíblia. É o relato mais espiritual sobre Jesus até hoje escrito.



POUCO ANTES DA CRUCIFICAÇÃO

Quando Jesus e os seus acusadores partiram para ver Herodes, o Mestre voltou-se para o apóstolo João e disse: “João, podes fazer mais por mim. Vai até a minha mãe e traze-a para ver-me, antes que eu morra”. Quando João ouviu o pedido do seu Mestre, embora ficasse relutante em deixá-lo a sós com os seus inimigos, apressou-se a ir à Betânia, onde toda a família de Jesus estava reunida, à espera, na casa de Marta e Maria, irmãs de Lázaro a quem Jesus ressuscitou dos mortos.

Por várias vezes durante a manhã, os mensageiros haviam trazido notícias a respeito do progresso do julgamento de Jesus, para Marta e Maria. Mas a família de Jesus não alcançou a Betânia senão uns poucos minutos antes de João haver chegado, trazendo o pedido de Jesus para ver a sua mãe antes de ser levado à morte. Depois que João Zebedeu contou a eles tudo que havia acontecido, desde a prisão de Jesus à meia-noite, Maria, a mãe dele, foi imediatamente, em companhia de João, ver o seu filho mais velho. No momento em que Maria e João chegaram à cidade, Jesus, acompanhado pelos soldados romanos que iam crucificá-lo, havia chegado já ao Gólgota.

Quando Maria, a mãe de Jesus, partiu com João para ver o seu filho, a sua irmã Rute negou-se a ficar para trás com o resto da família. E, já que ela estava decidida a acompanhar a sua mãe, o seu irmão Judá foi com elas. O restante da família do Mestre permaneceu na Betânia sob a liderança de Tiago, e a cada hora, quase, os mensageiros de Davi Zebedeu traziam a eles notícias sobre o andamento daquele assunto terrível que era a execução da sentença de morte do seu irmão mais velho, Jesus de Nazaré.

1. O FIM DE JUDAS ISCARIOTES

Foi por volta das oito e meia, dessa sexta-feira pela manhã, que a audiência de Jesus perante Pilatos deu-se por terminada; e só então o Mestre foi colocado sob a custódia dos soldados romanos que deviam crucificá-lo. Tão logo os romanos tomaram posse de Jesus, o capitão dos guardas judeus marchou com os seus homens de volta para a sua sede no templo. O sumo sacerdote e os seus parceiros sinedristas seguiram atrás dos guardas, bem de perto, indo diretamente para o seu local usual de encontro na sala de pedra lavrada no templo. Ali eles encontraram muitos outros membros do sinédrio, esperando para saber o que havia sido feito com Jesus. Enquanto Caifás ocupava-se fazendo o seu relatório para o sinédrio, a respeito do julgamento e da condenação de Jesus, Judas apareceu diante deles para reclamar a sua recompensa pelo papel que teve na prisão e na sentença de morte do seu Mestre.

Todos esses judeus detestavam Judas e olharam para o traidor apenas com sentimentos de total desprezo. Durante o julgamento de Jesus perante Caifás e durante o seu comparecimento diante de Pilatos, Judas esteve com a consciência afligida por causa da sua conduta de traidor. E estava também começando a ficar um tanto desiludido com a recompensa que ia receber como pagamento pelos seus serviços de trair Jesus. Ele não gostou da frieza e da indiferença das autoridades judias; entretanto esperava ser amplamente recompensado pela sua conduta covarde. Ele antecipava que fosse chamado perante uma reunião completa do sinédrio e que ali ouviria os elogios, enquanto eles confeririam a ele as honrarias adequadas como prova do grande serviço que ele se vangloriava haver prestado à sua nação. Imagineis, pois, a grande surpresa desse traidor egoísta, quando um servo do sumo sacerdote, tocando em seu ombro, chamou-o para que saísse da sala e foi dizendo: “Judas, eu fui indicado para pagar-te pela traição de Jesus. Aqui está a tua recompensa”. E falando assim, o servo de Caifás entregou a Judas uma bolsa que continha trinta moedas de prata – o preço, em vigor, de um escravo bom e saudável.

Judas ficou atônito, aturdido. E correu para entrar na sala, mas foi barrado pelo porteiro. Queria apelar para o sinédrio, mas não quiseram recebê-lo. Judas não podia crer que esses dirigentes judeus tivessem esperado que ele traísse os seus amigos e o seu Mestre para depois oferecerem a ele trinta moedas de prata como recompensa. Estava humilhado, desiludido e totalmente oprimido. Ele saiu do templo, por assim dizer, em um transe. Automaticamente, deixou a bolsa de dinheiro cair no fundo do seu bolso, aquele mesmo bolso onde, por tanto tempo, ele havia levado a bolsa que continha os fundos apostólicos. E perambulou por toda a cidade, atrás das multidões que estavam a caminho de presenciar as crucificações.

À distância Judas viu que levantavam a cruz na qual Jesus estava pregado e, ao ver isso, correu de volta ao templo e, forçando a sua passagem junto ao porteiro, viu-se na presença do sinédrio, ainda reunido. O traidor achava-se quase sem respiração e altamente perturbado, mas conseguiu balbuciar estas palavras: “Eu pequei porque traí contra sangue inocente. Vós me insultastes. Oferecestes dinheiro a mim como recompensa pelo meu serviço – o preço de um escravo. Arrependo-me de ter feito isso; aqui está o vosso dinheiro. Eu quero escapar da culpa de ter cometido esse ato”.

Ao ouvirem Judas, os dirigentes dos judeus escarneceram dele. Um deles, assentado perto de onde estava Judas, acenou para que ele saísse da sala, dizendo: “O teu Mestre já foi executado pelos romanos, e quanto à tua culpa, o que é isso para nós? Cuida tu dela – e fora daqui!”

Ao deixar a sala do sinédrio, ele retirou as trinta moedas de prata da bolsa e jogou-as, espalhando-as pelo assoalho do templo. Quando o traidor deixou o templo, ele encontrava-se quase fora de si. Judas estava agora passando pela experiência da compreensão da verdadeira natureza do pecado. Todo o encanto, o fascínio e a embriaguez da má ação haviam-se esvaído. Agora o pecador encontrava-se só e frente a frente com o veredicto do julgamento da sua alma desiludida e desapontada. O pecado, fascinante e aventuroso ao ser cometido; mas, agora, a colheita dos fatos nus e pouco românticos devia ser enfrentada.

Este que fora um embaixador do Reino do céu na Terra, caminhou então pelas ruas de Jerusalém, abandonado e só. O seu desespero era irremediável e quase absoluto. E ele continuou pela cidade e para fora dos seus muros, até a solidão terrível do vale do Hinom, onde subiu pelas rochas escarpadas e, tirando o cinturão do seu manto, atou uma das extremidades a uma árvore pequena, e a outra em volta do próprio pescoço e jogou-se no precipício. Antes de morrer, o nó feito pelas suas mãos nervosas desatou-se, e o corpo do traidor arremeteu-se, fazendo-se em pedaços ao cair por sobre as rochas pontiagudas embaixo.

2. A ATITUDE DO MESTRE

Quando foi preso, Jesus sabia que o seu trabalho na Terra, na semelhança da carne mortal, havia sido concluído. Ele compreendeu plenamente a espécie de morte que teria e pouco preocupado esteve com os detalhes do seu assim chamado julgamento.

Perante o tribunal sinedrista Jesus recusou-se a dar respostas aos depoimentos dos testemunhos perjuros. Havia apenas uma pergunta que esclareceria para sempre uma resposta, feita fosse por um amigo ou um inimigo, era a que dizia respeito à natureza e divindade da sua missão na Terra. Quando perguntado se ele era o Filho de Deus, infalivelmente responderia. E, imperturbável, ele recusou-se a falar quando em presença do curioso e perverso Herodes. Diante de Pilatos falou apenas quando achou que Pilatos, ou alguma outra pessoa sincera, poderia ainda ser ajudado a ter um conhecimento melhor da verdade, por meio do que ele dissesse. Jesus havia ensinado aos seus apóstolos a inutilidade de atirar as suas pérolas aos porcos e, agora, ele praticava, ousando, o que havia ensinado. A sua conduta nessa época exemplificava a submissão paciente da natureza humana, unida ao silêncio majestoso e à dignidade solene da natureza divina. Ele estava totalmente disposto a conversar com Pilatos sobre qualquer questão relacionada às acusações políticas levantadas contra ele – qualquer questão que ele reconhecesse como pertencendo à jurisdição do governador.

Jesus estava convencido de que a vontade do Pai era de que ele se submetesse à sequência natural e comum dos acontecimentos humanos, exatamente como qualquer outra criatura mortal havia de fazer; e por isso recusou-se a empregar até mesmo os seus poderes puramente humanos de eloqüência persuasiva para influenciar a conseqüência das maquinações dos seus semelhantes mortais socialmente míopes e espiritualmente cegos. Embora Jesus tenha vivido e morrido em Urântia, toda a sua carreira humana, do princípio ao fim, foi um acontecimento destinado a influenciar e a instruir todo o universo da sua criação e da sua incessante sustentação.

Esses judeus de pouca visão clamavam indecorosamente pela morte do Mestre, enquanto ele permanecia lá, em um silêncio terrível, olhando a cena de morte de uma nação – o próprio povo do seu pai.

Jesus havia adquirido aquele tipo de caráter humano que conseguiria manter a própria compostura e afirmar a sua dignidade, diante mesmo do insulto contínuo e gratuito. Ele não podia ser intimidado. Quando, pela primeira vez, foi atacado pelo servo de Anás, ele havia apenas sugerido que valeria a pena convocar as testemunhas que poderiam atestar devidamente contra ele.

Do princípio ao fim, no seu chamado julgamento diante de Pilatos, as hostes celestes observando os acontecimentos não puderam abster-se de transmitir ao universo uma descrição da cena como de “Pilatos, sendo julgado diante de Jesus”.

Quando esteve diante de Caifás, e quando todos os testemunhos perjuros desmoronaram-se, Jesus não hesitou em responder à pergunta do sumo sacerdote, provendo assim com o seu próprio testemunho a base que desejavam para condená-lo por blasfêmia.

O Mestre nunca manifestou o menor interesse pelos esforços bem-intencionados, mas acanhados, de Pilatos, para efetivar a sua libertação. De fato, tinha pena de Pilatos e, sinceramente, tentou esclarecer a sua mente obscurecida. E totalmente passivo permaneceu diante de todos os apelos do governador aos judeus para retirar as suas acusações criminais contra si. Durante toda a triste provação, comportou-se com uma dignidade simples e com majestade sem ostentação. Ele não quis nem mesmo realçar a insinceridade daqueles que queriam assassiná-lo, quando perguntaram se ele era o “rei dos judeus”. Aceitou essa designação com um mínimo de esforço para retificá-la, pois sabia que, conquanto houvessem escolhido rejeitá-lo, seria ele o último a representar para eles uma liderança nacional real, ainda que em um sentido espiritual.

Jesus disse pouca coisa durante esses julgamentos, mas falou o suficiente para mostrar a todos os mortais a qualidade do caráter humano que pode ser aperfeiçoado por um homem, quando em ligação com Deus; e para revelar a todo o universo o modo pelo qual Deus pode tornar-se manifesto, na vida da criatura, quando tal criatura escolhe verdadeiramente fazer a vontade do Pai, transformando-se assim em um filho ativo do Deus vivo.

O seu amor pelos mortais ignorantes é mostrado amplamente pela sua paciência e sua grande presença de espírito diante da zombaria, dos golpes e bofetadas dos soldados grosseiros e dos servos irrefletidos. Ele nem ficou com raiva quando eles vendaram os seus olhos e, ridicularizando-o, esbofetearam o seu rosto, exclamando: “Profetiza, então, quem de nós esbofeteou o teu rosto”.

Pilatos falou mais verdadeiramente do que ele próprio podia supor quando, depois de Jesus ter sido açoitado, apresentou-o à multidão, exclamando: “Contemplai, eis o homem!” De fato, o governador romano, cheio de temores, mal sonhava que exatamente naquele momento o universo permanecia atento, presenciando essa cena única do seu amado Soberano, assim submetido à humilhação, aos escárnios e aos golpes dos seus súditos mortais pouco esclarecidos e degradados. E o que Pilatos disse ecoou em todo o Nébadon: “Contemplai, eis o Deus e o homem!” Em todo um universo, milhões incontáveis a partir daquele dia continuaram a contemplar aquele homem, enquanto o Deus em Havona, o dirigente supremo do universo dos universos, aceita o homem de Nazaré como sendo a satisfação do ideal para as criaturas mortais desse universo local do tempo e do espaço. Na sua vida sem par, ele nunca deixou de revelar Deus ao homem. Agora, nesses episódios finais da sua carreira mortal e da sua morte subsequente, ele fazia uma revelação nova e tocante do homem para Deus.

3. A GRANDE CONFIABILIDADE DE DAVI ZEBEDEU


Pouco depois de Jesus haver sido entregue aos soldados romanos, na conclusão da audiência perante Pilatos, um destacamento de guardas do templo apressou-se até o Getsêmane para dispersar ou prender os seguidores do Mestre. Mas, muito antes da chegada deles, esses seguidores já se haviam dispersado. Os apóstolos retiraram-se para os esconderijos designados; os gregos separaram-se e foram para várias casas em Jerusalém; os outros discípulos desapareceram do mesmo modo. Davi Zebedeu acreditava que os inimigos de Jesus voltariam; e, assim, logo ele retirou umas cinco ou seis tendas para a ravina, perto de onde o Mestre tão freqüentemente ia orar e adorar. Ali ele propunha esconder e ao mesmo tempo manter um centro, ou uma estação coordenadora, para o serviço dos seus mensageiros. Davi mal tinha deixado o campo quando os guardas do templo chegaram. Não encontrando ninguém ali, contentaram-se em queimar o acampamento e então voltaram apressados para o templo. Ao ouvir o relato deles, o sinédrio ficou satisfeito de que os seguidores de Jesus, tão profundamente amedrontados e subjugados, houvessem fugido, eliminando qualquer perigo de revolta ou tentativa para resgatar Jesus das mãos dos seus executores. Eles podiam afinal respirar com alívio, e assim terminaram a reunião, cada homem tomando o seu caminho a fim de preparar-se para a Páscoa.

Tão logo Jesus havia sido entregue aos soldados romanos por Pilatos, para a crucificação, um mensageiro apressou-se até o Getsêmane para informar a Davi e, em cinco minutos, os corredores estavam a caminho de Betsaida, Pela, Filadélfia, Sidom, Síquem, Hebrom, Damasco e Alexandria. E esses mensageiros levaram as notícias de que Jesus estava para ser crucificado pelos romanos diante da exigência insistente dos dirigentes judeus.

Durante esse dia trágico, até receber o aviso de que o Mestre havia sido colocado na tumba, Davi enviara mensageiros a cada meia hora com relatórios aos apóstolos, aos gregos e à família terrena de Jesus, reunida na casa de Lázaro na Betânia. Quando os mensageiros partiram com a notícia de que Jesus havia sido sepultado, Davi dispensou o grupo de corredores locais para a celebração da Páscoa e para o sábado de descanso, e, em seguida, instruiu-lhes para que se reportassem a ele discretamente no domingo pela manhã, na casa de Nicodemos, onde ele se propunha permanecer escondido por alguns dias com André e Simão Pedro.

Esse Davi Zebedeu, com o seu peculiar modo de pensar, foi o único dos discípulos principais de Jesus que estava inclinado a ter uma visão, ao pé da letra, sobre a afirmação positiva do Mestre de que ele iria morrer e “ressuscitar ao terceiro dia”. Certa vez, Davi ouvira-o fazer essa predição e, tendo uma mente prática e que via as coisas literalmente, agora se propunha reunir os seus mensageiros no domingo, pela manhã bem cedo, na casa de Nicodemos, de modo tal que eles estivessem à mão para disseminar as novas, no caso de Jesus ressuscitar dos mortos. Davi logo descobriu que nenhum dos seguidores de Jesus estava esperando que ele retornasse tão cedo da sepultura; e por isso ele pouco disse sobre a sua crença e nada revelou sobre a mobilização, em sua força plena, dos mensageiros cedo no domingo, exceto para os corredores que haviam sido despachados na sexta-feira, à tarde, para as cidades distantes e para os centros de crentes.

E, assim, esses seguidores de Jesus, espalhados por toda a Jerusalém e pelos seus arredores, naquela noite, compartilharam da Páscoa e no dia seguinte permaneceram em reclusão.

4. A PREPARAÇÃO PARA A CRUCIFICAÇÃO

Pilatos lavou as suas mãos diante da multidão, buscando assim escapar da culpa por mandar um homem inocente para ser crucificado, apenas porque ele temia resistir ao clamor dos dirigentes judeus; e, em seguida, mandou que o Mestre fosse entregue aos soldados romanos e deu instruções ao capitão deles para que o crucificasse imediatamente. Ao tomarem Jesus ao seu encargo, os soldados conduziram-no de volta ao pátio do pretório e, depois de remover o manto que Herodes havia colocado sobre ele, eles vestiram-no com as suas próprias roupas. Esses soldados zombaram e escarneceram dele, mas não mais lhe infligiram nenhuma punição física. Jesus agora estava só com esses soldados romanos. Os seus amigos permaneciam escondidos; os seus inimigos haviam seguido o próprio caminho; até mesmo João Zebedeu não se encontrava mais a seu lado.

Pilatos entregou Jesus aos soldados, pouco depois das oito horas; e um pouco antes das nove, eles partiram para o local da crucificação. Durante esse período de mais de meia hora, Jesus não falou sequer uma palavra. Os assuntos executivos de um grande universo ficaram praticamente em compasso de espera. Gabriel e os seus principais dirigentes de Nébadon encontravam-se reunidos aqui em Urântia, ou então acompanhando de perto os relatórios espaciais dos arcanjos, em um esforço de mantê-los informados sobre o que estava acontecendo ao Filho do Homem em Urântia.

Quando os soldados ficaram prontos para partir com Jesus, em direção ao Gólgota, eles começaram a ficar impressionados com a compostura incomum, e a extraordinária dignidade e o seu silêncio sem queixas de Jesus.

Grande parte da demora em partir com ele para o local da crucificação foi devida à decisão, de última hora, tomada pelo capitão, de levar junto os dois ladrões que haviam sido condenados a morrer; já que Jesus devia ser crucificado naquela manhã, o capitão romano julgou que esses dois podiam muito bem morrer com ele, em vez de esperar pelo fim das festividades da Páscoa.
Tão logo os ladrões puderam ser aprontados, eles foram conduzidos ao pátio, onde, ao olharem para Jesus, um deles estava vendo-o pela primeira vez, mas o outro estivera, por várias vezes, ouvindo-o falar, não apenas no templo, mas, meses antes, no campo de Pela.

5. A MORTE DE JESUS EM RELAÇÃO À PÁSCOA


Não há nenhuma relação direta entre a morte de Jesus e a Páscoa judaica. Verdade é que o Mestre entregou a sua vida na carne nesse dia, o Dia da Preparação para a Páscoa judaica, e por volta da hora do sacrifício dos cordeiros da Páscoa no templo. Mas a coincidência desses acontecimentos de nenhuma maneira indica que a morte do Filho do Homem, na Terra, tenha qualquer ligação com o sistema de sacrifícios dos judeus. Jesus era um judeu, e, como Filho do Homem, era um mortal dos reinos. Os acontecimentos já narrados, que conduziram a esse momento da crucificação iminente do Mestre, são suficientes para indicar que a sua morte por volta desse momento foi uma questão natural e manipulada inteiramente pelos homens.

Foi o homem, e não Deus, que planejou e executou a morte de Jesus na cruz. Bem verdade é que o Pai recusou-se a interferir na marcha dos acontecimentos humanos em Urântia, mas o Pai no Paraíso não decretou, nem exigiu ou solicitou a morte do seu Filho, como foi executada na Terra. É um fato que, de alguma maneira, mais cedo ou mais tarde, Jesus teria tido que se despojar do corpo mortal, da sua encarnação nessa carne, mas ele poderia haver cumprido essa tarefa de inúmeros modos, sem que fosse necessário morrer em uma cruz entre dois ladrões. Tudo isso foi um feito do homem, não de Deus.

Na época do batismo do Mestre, já havia ele concluído a técnica da experiência exigida na Terra e na carne, necessária para completar a sua sétima e última auto-outorga no universo. Nessa mesma época o dever de Jesus na Terra estava já cumprido. Daí por diante, toda a vida que ele viveu e mesmo o modo da sua morte foram uma ministração puramente pessoal da sua parte para o bem-estar e para a elevação das suas criaturas mortais neste mundo e em outros mundos.

O evangelho das boas-novas, de que o homem mortal pode, pela fé, tornar-se consciente espiritualmente de que é um filho de Deus, não depende em nada da morte de Jesus. É bem verdade, de fato, que todo o evangelho do Reino haja sido imensamente iluminado pela morte do Mestre, no entanto foi ainda e muito mais iluminado pela sua vida.

Tudo que o Filho do Homem disse ou fez na Terra embelezou grandemente as doutrinas da filiação a Deus e da fraternidade dos homens, mas essas relações essenciais, entre Deus e os homens, são inerentes aos fatos universais do amor de Deus pelas suas criaturas e à misericórdia inata dos Filhos divinos. Essas relações tocantes e divinamente belas, entre o homem e o seu Criador, neste mundo e em todos os outros, em todo o universo dos universos, têm existido desde a eternidade; e elas não são, em nenhum sentido, dependentes das atuações, como tais, nas auto-outorgas periódicas que fazem os Filhos Criadores de Deus, assumindo assim a natureza e a semelhança das suas inteligências criadas, como uma parte do preço que devem pagar para a aquisição final da soberania ilimitada sobre os seus respectivos universos locais.

O Pai no céu amava os homens mortais na Terra antes da vida e da morte de Jesus, em Urântia, tanto quanto ele ama depois dessa demonstração transcendental de co-participação entre o homem e Deus. Essa transação poderosa da encarnação do Deus de Nébadon, como um homem, em Urântia, não poderia aumentar os atributos do Pai eterno, infinito e universal; no entanto, enriqueceu e iluminou a todos os outros administradores e criaturas do universo de Nébadon. Conquanto não haja de ser por isso que o Pai do céu em nada mais nos amaria, é, todavia, em vista dessa autodoação de Michael que todas as outras inteligências celestes nos amam mais. E isso é assim porque Jesus não apenas fez uma revelação de Deus para o homem, mas porque, do mesmo modo, fez uma nova revelação do homem aos Deuses e às inteligências celestes do universo dos universos.

Jesus não esteve na iminência de morrer em um sacrifício pelo pecado. Ele não iria expiar a culpa moral inata da raça humana. A humanidade não tem uma culpa racial perante Deus. A culpa é puramente uma questão do pecado pessoal e consciente, da rebelião deliberada contra a vontade do Pai e contra a administração dos seus Filhos.
O pecado e a rebelião nada têm a ver com o plano fundamental das auto-outorgas feito para os Filhos do Paraíso de Deus; embora pareça a nós que o plano de salvação seja um aspecto provisional do plano das auto-outorgas.

A salvação dada por Deus aos mortais de Urântia teria sido tão efetiva e inequivocamente segura se Jesus não tivesse sido levado à morte pelas mãos cruéis de mortais ignorantes. Se o Mestre tivesse sido favoravelmente recebido pelos mortais da Terra e se tivesse partido de Urântia por meio da renúncia voluntária da sua vida na carne, o fato do amor de Deus e da misericórdia do Filho – o fato da filiação a Deus – não teria, de nenhum modo, sido afetado. Vós mortais sois filhos de Deus, e apenas uma coisa é exigida para que essa verdade seja factual na vossa existência pessoal, e esta é a vossa fé, nascida do espírito.

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terça-feira, 28 de junho de 2011

SANANDA - NÓS ESTAMOS SEGURANDO SUAS MÃOS - POR ARIANE

Sananda - Nos estamos egurando suas mãos

Amados filhos do Um, Sou Sananda.

Seu irmão e pai.

Somos Um com a Fonte e estamos juntos nessa jornada atual.

Sei que é tempo de se precaver e de estar se preparando para os eventos a seguir. Mas vejam,
Corremos contra o tempo, por assim dizer, o tempo urge e o agora é de permitir a chegada da Luz em seus corpos, em sua vida.

Amados, no amor, na Luz, nós estamos segurando as suas mãos esperando que tudo dê certo com vocês e com Gaia, sua Mãe.
Não sintam medo, não se deixem levar pelas notícias que chegam até vocês.
Sintam vocês mesmos a energia que já se apresenta em vosso céu e em vossa terra, assim como em seus próprios corpos.

Sintam o amor que emudece o ego e os eleva às mais altas estrelas no firmamento. Sintam suas famílias estelares que estão em vocês, em todos vocês.
Somos todos Um.

Vamos ao caminho mais adiante, seguir a trilha brilhante até a Fonte onde um dia todos nós nos juntaremos em júbilo.
Não temam se não acompanharem os passos dos irmãos ao seu lado. Cada um a seu ritmo, vamos em frente.

Somos todos Um, em uníssono, em Unidade, ou em direção à ela.
Somos Um com cada um
e somos filhos da Luz.

Sou Sananda
e Sou Eu em vocês.

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COMO EVOLUIR E ASCENDER EM DIREÇÃO E 5D

Como evoluir e ascender em direção a 5D - por Adama

Por Adama através de Johan

22 de Junho de 2011 - 05:34:04 AM

Tradução: Agaceene

http://esperancaabundante.blogspot.com/

Original: How to grow up and step up towards 5D

http://abundanthope.net/pages/johan/How-to-grow-up-and-step-up-towards-5D.shtml

21 de junho de 2011

Aqui é Adama, Alto Sacerdote de Telos

Como o assunto veio à tona no outro dia, se certa canalização ou texto eram genuínos ou não, ou se ao menos a pessoa envolvida estava ou não recebendo honestamente de mim, eu queria abordar esse assunto para evitar confusão e dar um direcionamento com mais responsabilidade para todos.
Depois de anos de acumulando mensagens telepáticas minhas ou de qualquer outro ser e arquivando-as em websites que são denominados por nós ou pelos postos que nós representamos, fica fácil por si só se familiarizar com o estilo e conteúdo, e reproduzir um material similar sem ser verdadeiro.

Entristece-me que os seres humanos prefiram a glória e a satisfação do ego, ao invés de honestamente tentar avançar em direção à senda da espiritualidade real e da Divindade. Como nós temos observado daqui de Telos, muitos de vocês na superfície preferem escolher enganos e mentiras para avançar, principalmente na escada social.

Nós nos organizamos em classes e na sociedade 5D que desenvolvemos em Telos, as coisas nunca poderiam ter evoluído para isso se tivéssemos nos desviado da Verdade e da glorificação equilibrada do ego, deixando de Servir a nosso Pai de Toda Criação, e ao nosso Soberano Desta Criação, Cristo Miguel, Seu Filho de Nebadon.

Isso requer uma VISÃO de longo prazo, sonhar alto e planejamento para se pavimentar o caminho para um crescimento estável e um desenvolvimento sustentável para uma nação ou civilização em avanço. Somente estando a Serviço [do Pai], líderes, seguidores e todas as formas de vida em equilíbrio como conseqüência do AMOR, é que se pode espiritualizar e se manter isso em uma escala mais perene.

Como estamos nesse caminho, sendo hoje o dia mais longo e a noite mais curta do Solstício de Verão, que não deveria ser visto apenas como um ritual pagão, mas que foi reverenciado por muitas pessoas e grupos que vieram antes de vocês, como um marco em uma calendário de eventos, para colocar em ordem a relação entre o nosso Amado e Sagrado Planeta Terra e seus Irmãos e Irmãs nos céus, para fazer um progresso em direção a uma Consciência Superior, para dar um passo a mais rumo à vossa vida Imortal e Eterna, Todos vocês deveriam reservar um tempo para REFLETIR que, aquilo que levou vossa sociedade da superfície a ficar de joelhos, terá que ser feito de maneira diferente desta vez, ou então vocês vão se deparar com o mesmo abismo novamente.

Parem, com essa agitação, confusão e correria pra lá e pra cá, já que claramente não vos leva a lugar algum, senão para trás e para a destruição de si mesmos e de tudo o que é de Natureza Divina e necessário à sobrevivência.
Sabendo que estamos aqui, vocês deveriam se munir de toda a coragem e fome de aprender, se algo for melhor e mais avançado, para ao menos quererem conhecer, experienciar e seguir adiante para o bem das outras pessoas e de si mesmo, e se dedicarem a uma visão de futuro que pelo menos possa ir até o fim.

Se tudo que é rápido, instantâneo e imediato, independentemente do resultado ou da sustentabilidade ou do respeito pelo ambiente, ou da qualidade de vida para si e aos outros, claramente conduz ao caminho da aniquilação, tal como vocês vêem ao olharem a vossa volta, quando TUDO está prestes a entrar em colapso, então PAREM e PENSEM, e se CONECTEM com a SABEDORIA INTERIOR e com tudo que experimentaram para conhecerem melhor.

É disso que nossas classes tratam, para tentarmos vos ajudar a PARAREM com vossos negócios de sempre, pois até vocês, meus amigos, que começam a desenvolver vossa própria espiritualidade, não levam a vida com a seriedade suficiente para transformar a própria vida a vossa volta, sem falar a dos outros e das futuras gerações. Falar sobre das coisas não vai mudá-las. Dizer que vocês me canalizaram, não vai fazer isso acontecer. Sejam honestos e sigam o caminho da Verdade e do Amor Genuíno e do Serviço aos Outros, e o vosso Futuro Sustentável começará aí mesmo. Eu vos amo, e estou com vocês, o tempo todo, se vocês assim escolherem.

Bênçãos a Todos, e de Coração, Adama de Telos, através do meu Irmão Zadun, Johan.

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APENAS PARA MEMORIZAR

Apenas para memorizar



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Serie: (64) A vida e os ensinamentos de Jesus - A traição a jesus e a prisão

Serie: (64) A vida e os ensinamentos de Jesus - A traição a jesus e a prisão

Esta série foi extraída do Livro de Urântia. Os 77 capítulos, mais de 700 páginas, que ocupam um terço do livro, dão dia a dia, toda a vida de Jesus Cristo desde sua infância. Dão 16 vezes mais informações sobre a vida e os ensinamentos de Jesus do que a Bíblia. É o relato mais espiritual sobre Jesus até hoje escrito.



A TRAIÇÃO A JESUS E A SUA PRISÃO

Depois de haver acordado Pedro, Tiago e João, definitivamente, Jesus sugeriu que eles fossem para as suas tendas e que tentassem dormir a fim de preparar-se para os deveres do dia seguinte. Contudo, desta vez os três apóstolos estavam bem acordados; ficaram renovados com aqueles cochilos curtos e, além disso, viam-se estimulados e despertados pela entrada em cena de dois mensageiros agitados a perguntarem por Davi Zebedeu e saírem rapidamente à procura dele, tão logo Pedro informou-lhes que ele estava de guarda.

Embora oito dos apóstolos estivessem profundamente adormecidos, os gregos que se encontravam acampados perto deles estavam bastante temerosos de que ocorressem encrencas, tanto que haviam colocado uma sentinela para dar-lhes alarme em caso de perigo. Quando os dois mensageiros apressados chegaram ao acampamento, a sentinela grega começou a acordar todos os seus amigos compatriotas, os quais saíram correndo para fora das suas tendas, já totalmente vestidos e armados. Todo o acampamento estava agora de pé, exceto os oito apóstolos. Pedro desejava chamar os seus companheiros, mas Jesus proibiu-o definitivamente. O Mestre exortou-os com brandura a voltarem para as suas tendas, mas eles mantinham-se relutantes em aquiescer à sua sugestão.

Não tendo conseguido dispersar os seus seguidores, o Mestre deixou-os e caminhou descendo até a prensa de azeite perto da entrada do parque do Getsêmane. Embora os três apóstolos, os gregos e os outros membros do acampamento hesitassem em segui-lo imediatamente, João Marcos apressou-se a contornar as oliveiras e ocultou-se em um pequeno abrigo perto da prensa. Jesus havia afastado-se do acampamento e dos seus amigos para que aqueles que o viessem buscar, ao chegarem, pudessem prendê-lo sem perturbar os seus apóstolos. O Mestre temia que, despertados, os apóstolos estivessem presentes no momento da sua prisão e que, assim, o espetáculo da traição de Judas pudesse provocar a animosidade deles, levando-os a oferecer resistência diante dos soldados e que então fossem levados em custódia junto com ele. Ele temia que, se fossem presos junto com ele, pudessem também perecer.

Embora Jesus soubesse que o plano para a sua morte tenha tido a sua origem nos conselhos dos governantes dos judeus, ele era também sabedor de que todos esses esquemas nefandos tinham a aprovação plena de Lúcifer, Satã e Caligástia. E ele bem sabia que esses rebeldes dos reinos também se comprazeriam em ver os apóstolos destruídos junto com ele.

Jesus sentou-se, solitário, na prensa de olivas, onde esperou a vinda do traidor e, nesse momento, apenas João Marcos e uma hoste inumerável de observadores celestes podiam vê-lo.

1. A VONTADE DO PAI

Existe um grande perigo de se interpretar mal os significados de numerosas coisas que hajam sido ditas e os acontecimentos relacionados com o término da carreira do Mestre na carne. O tratamento cruel dado a Jesus pelos servos ignorantes e pelos soldados insensíveis, a conduta injusta do seu julgamento e a atitude insensível dos professos líderes religiosos não devem ser confundidos com o fato de que Jesus, submetendo-se pacientemente a todo esse sofrimento e humilhação, estivesse verdadeiramente cumprindo o desejo do Pai, no Paraíso. De fato e de verdade, era a vontade do Pai que o seu Filho bebesse o cálice inteiro da experiência mortal, do nascimento à morte, mas o Pai no céu não teve absolutamente nenhuma contribuição em provocar o comportamento bárbaro dos seres humanos, supostamente civilizados, que tão brutalmente torturaram o Mestre e que tão horrivelmente acumularam indignidades sucessivas sobre a sua pessoa, a qual não opunha a menor resistência. Aquelas experiências desumanas e chocantes, que Jesus foi levado a suportar, nas horas finais da sua vida mortal, não eram, de modo algum, parte da vontade divina do Pai; vontade esta que a natureza humana de Jesus comprometera-se, de uma maneira tão triunfante, a cumprir, na época da rendição final do homem a Deus, como indicado nas três preces que ele formulou no jardim enquanto os seus apóstolos cansados entregavam-se ao sono da exaustão física.

O Pai no céu desejava que o Filho auto-outorgado terminasse a sua carreira na Terra naturalmente, da maneira exata que todos os mortais devem terminar as suas vidas na Terra e na carne. Os homens e mulheres comuns não podem esperar ter as suas últimas horas na Terra, bem como o acontecimento subsequente da morte, facilitado por uma dispensação especial. Desse modo, Jesus escolheu abandonar a sua vida na carne da maneira que estivesse de acordo com o decorrer natural dos acontecimentos; e ele escolheu recusar terminantemente a livrar-se das garras cruéis de uma perversa conspiração de acontecimentos desumanos que o arrastaram, com uma certeza horrível, até uma humilhação inacreditável e uma morte ignominiosa. E cada detalhe de toda essa assombrosa manifestação de ódio e dessa demonstração sem precedentes de crueldade foi obra de homens maliciosos e de mortais perversos. A vontade de Deus no céu não era essa, nem os arquiinimigos de Jesus ditaram os acontecimentos, embora eles muito tivessem feito para assegurar que os mortais impensados e perversos rejeitassem, desse modo, o Filho na sua doação de auto-outorga. Até mesmo o pai do pecado desviou o rosto do horror excruciante da cena da crucificação.

2. JUDAS NA CIDADE

Depois de abandonar tão abruptamente a mesa enquanto partilhava da Última Ceia, Judas dirigiu-se imediatamente à casa do seu primo e, então, os dois foram diretamente até o capitão da guarda do templo. Judas pediu ao capitão que reunisse os guardas e informou-lhe que estava pronto para levá-los a Jesus. Como Judas havia surgido em cena um pouco antes do esperado, houve alguma demora em partir para a casa de Marcos, onde Judas esperava encontrar Jesus ainda em reunião com os apóstolos. O Mestre e os onze deixaram a casa de Elias Marcos ao menos quinze minutos antes da chegada do traidor e dos guardas. No momento em que os captores chegaram à casa de Marcos, Jesus e os onze já estavam fora dos muros da cidade e a caminho do acampamento do monte das Oliveiras.

Judas ficou muito perturbado com o esse malogro, de não encontrar Jesus na residência de Marcos e em companhia dos onze homens, dos quais apenas dois estavam armados para resistir. Ele soube por casualidade que, na tarde em que eles haviam deixado o acampamento, apenas Simão Pedro e Simão zelote estavam guarnecidos pelas suas espadas; Judas esperava prender Jesus quando a cidade estivesse tranqüila, e quando então houvesse poucas possibilidades de resistência. O traidor temia que, caso esperasse que eles voltassem ao acampamento, mais de sessenta discípulos devotados teriam de ser enfrentados; ele sabia também que Simão zelote estava de posse de um estoque amplo de armas. Judas ficava cada vez mais nervoso ao imaginar como os onze apóstolos leais iriam detestá-lo, e temia que todos eles buscassem destruí-lo. Ele não apenas era desleal, mas possuía realmente um coração covarde.

Quando não logrou encontrar Jesus na sala superior, Judas pediu ao capitão da guarda para que retornassem ao templo. Enquanto isso os dirigentes tinham começado a reunir-se na casa do sumo sacerdote, em preparativos para receber Jesus, posto que a sua barganha com o traidor demandava a prisão de Jesus por volta da meia-noite daquele dia. Judas explicou aos seus cúmplices que, não havendo encontrado Jesus na casa de Marcos, seria necessário que fossem ao Getsêmane para prendê-lo. O traidor então afirmou que mais de sessenta seguidores devotados encontravam-se acampados com ele, e que estavam todos bem armados. Os dirigentes dos judeus lembraram a Judas que Jesus havia sempre pregado a não-resistência, mas Judas respondeu que eles não poderiam contar com todos os seguidores de Jesus para obedecer a esse ensinamento. Ele realmente temia por si próprio e por isso ousou pedir uma companhia de quarenta soldados armados. Posto que as autoridades judaicas não possuíam tal força de homens armados, sob a sua jurisdição, eles foram imediatamente à fortaleza de Antônia e solicitaram ao comandante romano que lhes fornecesse essa guarda; este, porém, quando soube que o objetivo era prender Jesus, recusou-se prontamente a aceder a tal pedido e remeteu-os ao seu oficial superior. Desse modo mais de uma hora foi gasta em ir de uma autoridade até a outra, até que, finalmente, foram obrigados a ir ao próprio Pilatos a fim de obter a permissão para utilizar os guardas romanos armados. Era tarde quando chegaram à casa de Pilatos; e ele havia já se recolhido aos seus aposentos particulares com a esposa. Ele hesitava em ter qualquer coisa a ver com essa empreitada, e, mais ainda, por sua esposa haver pedido a ele que não atendesse a um tal pedido. Todavia, como o presidente do sinédrio judeu encontrava-se presente fazendo um pedido pessoal para ter essa ajuda, o governador julgou ser sábio conceder o que estava sendo pedido, pensando que fosse possível mais tarde emendar qualquer injustiça que eles pudessem estar dispostos a cometer.

E assim, quando Judas Iscariotes saiu do templo, por volta de onze e meia da noite, ele achava-se acompanhado por mais de sessenta pessoas – guardas do templo, soldados romanos e servos curiosos dos sacerdotes e dos dirigentes principais.

3. A PRISÃO DO MESTRE


Quando essa companhia de soldados e de guardas armados, levando tochas e lanternas, aproximou-se do jardim, Judas adiantou-se e colocou-se à frente de todos a fim de imediatamente identificar Jesus, de modo que os captores pudessem com facilidade colocar as mãos nele antes que os seus companheiros conseguissem acorrer em sua defesa. E havia ainda uma outra razão para que Judas escolhesse estar à frente dos inimigos do Mestre: pensou que poderia deixar transparecer que ele houvesse chegado ao local antes dos soldados, de modo que os apóstolos, e todos os outros que se reuniam em torno de Jesus, não fossem ligá-lo diretamente à presença dos guardas armados que seguiam tão de perto os seus passos. Judas chegara mesmo a pensar em posar como tendo apressado-se para avisá-los da aproximação dos captores; esse plano, contudo, foi frustrado pela saudação sombria de Jesus ao traidor. Embora o Mestre haja usado de amabilidade para falar a Judas, ele saudou-o como a um traidor.

Pedro, Tiago e João e, ainda, uns trinta dos seus companheiros de acampamento tão logo viram a companhia armada e com tochas contornando o topo das colinas, logo souberam que esses soldados vinham para prender Jesus; e todos eles correram para baixo até perto da prensa de olivas onde o Mestre estava sentado em solidão, sob a luz da lua. À medida que a companhia aproximava-se de um lado, os três apóstolos e os seus companheiros vinham do outro lado. E, enquanto Judas adiantava-se a passos largos para abordar o Mestre, os dois grupos lá ficaram, imóveis, com o Mestre entre eles e Judas preparando-se para estampar o beijo traidor na fronte de Jesus.

A esperança do traidor era de que pudesse, após conduzir os guardas ao Getsêmane, simplesmente apontar Jesus para os soldados, ou no máximo cumprir a promessa de saudá-lo com um beijo, e então rapidamente retirar-se da cena. Judas temia bastante que todos os apóstolos estivessem presentes e que concentrassem o seu ataque sobre ele, em castigo pelo seu atrevimento de trair ao seu amado instrutor. Mas, quando o Mestre saudou-o como a um traidor, ele ficou tão confuso que não fez nenhuma tentativa de fugir.

Jesus empreendeu um último esforço para poupar Judas de traí-lo de fato; e assim, antes que o traidor pudesse alcançá-lo, ele andou para o lado e, dirigindo-se ao soldado mais próximo à esquerda, o capitão dos romanos, disse: “A quem buscais?” O capitão respondeu: “Jesus de Nazaré”. Então Jesus adiantou-se imediatamente à frente do oficial e permaneceu calamaente ali, na posição majestática de um Deus de toda a sua criação, e disse: “Sou eu”. Muitos dessa companhia armada haviam ouvido Jesus ensinar no templo; outros haviam ouvido falar sobre as suas obras poderosas e, quando o escutaram assim corajosamente anunciar a sua identidade, aqueles que estavam nas fileiras da frente recuaram subitamente. Eles haviam sido tomados de surpresa com o anúncio calmo e majestático da sua própria identidade. E não havia, portanto, nenhuma necessidade de que Judas continuasse com o seu plano de traição. Com ousadia, o Mestre havia revelado-se aos seus inimigos, que poderiam havê-lo prendido sem a ajuda de Judas. Mas o traidor precisava fazer algo para justificar a sua presença junto a esses homens armados e, além disso, queria demonstrar que cumpria a sua parte na barganha da traição para com os dirigentes dos judeus, e se fazer merecedor da grande recompensa e das honras que se acumulariam, acreditava ele, sobre si, em recompensa pela sua promessa de entregar Jesus nas mãos deles.

Enquanto os guardas refaziam-se da sua primeira vacilação ao verem Jesus, e com o som da voz inusitada dele, e enquanto os apóstolos e discípulos aproximavam-se, Judas foi até Jesus e, aplicando um beijo na sua fronte, disse: “Salve, Mestre e Instrutor” E quando Judas abraçou assim o seu Mestre, Jesus disse:. “Amigo, não te bastava fazer isso! Tinhas, ainda, com um beijo, que trair o Filho do Homem?”

Os apóstolos e discípulos ficaram literalmente atônitos com o que viram. Por um momento ninguém se moveu. Então Jesus, desembaraçando-se do abraço traidor de Judas, caminhou até os guardas e soldados e de novo perguntou: “A quem procurais?” E de novo o capitão disse: “Jesus de Nazaré”. E de novo Jesus respondeu: “Eu te disse que sou eu. Se, pois, buscas a mim, deixa os outros irem em paz. Estou pronto para ir contigo”.

Jesus estava pronto para ir de volta a Jerusalém com os guardas, e o capitão dos soldados também estava disposto a permitir que os três apóstolos e os seus companheiros tomassem seu caminho em paz. Mas, antes que fossem capazes de sair do lugar, e como Jesus permanecia lá, aguardando as ordens do capitão, um tal de Malco, o guarda-costa sírio do sumo sacerdote, andou até Jesus e se preparou para atar as suas mãos nas costas, embora o capitão romano não tivesse ordenado que Jesus devesse ser amarrado assim. Quando Pedro e os seus amigos viram o seu Mestre sendo submetido a essa indignidade, não mais foram capazes de controlar-se. Pedro sacou da sua espada e, com os outros, avançou para golpear Malco. No entanto, antes que os soldados pudessem vir em defesa do serviçal do sumo sacerdote, Jesus levantou a mão da proibição para Pedro e, usando de firmeza, disse: “Pedro, guarda a tua espada. Aqueles que usam a espada perecerão pela espada. Não compreendes que é da vontade do Pai que eu beba deste cálice? E não sabes também que eu poderia agora mesmo comandar mais de doze legiões de anjos e colaboradores deles, que me libertariam das mãos desses poucos homens?”

Jesus assim efetivamente dava um fim a essa demonstração de resistência física da parte dos seus seguidores, o que foi suficiente para despertar o medo no capitão dos guardas, que agora, com a ajuda dos seus soldados, colocava pesadas mãos sobre Jesus e o atava rapidamente. E, enquanto eles amarravam as suas mãos com cordas grossas, Jesus disse-lhes: “Por que viestes contra mim com espadas e com bastões como se fossem capturar um ladrão? Eu estive diariamente convosco no templo, ensinando publicamente ao povo, e vós não fizestes nenhum esforço para levar-me”.

Quando Jesus estava sendo atado, o capitão, temendo que os seguidores do Mestre pudessem tentar resgatá-lo, deu ordens para capturá-los; mas os soldados não foram suficientemente rápidos; e havendo ouvido as ordens do capitão para prendê-los, os seguidores de Jesus fugiram às pressas de volta para a ravina. Durante todo esse tempo João Marcos esteve escondido em um abrigo próximo. Quando os guardas partiram de volta para Jerusalém com Jesus, João Marcos tentou sair do abrigo para alcançar os apóstolos e os discípulos em fuga; mas, quando ele saiu, um dos últimos soldados, que esteve perseguindo os discípulos em fuga, passou por perto e, vendo esse jovem com o seu manto de linho, tentou pegá-lo e quase conseguiu isso. De fato, o soldado chegou perto o suficiente de João para agarrá-lo pelo manto, mas o jovem moço livrou-se do manto, escapando nu, enquanto o soldado segurava o manto vazio. João Marcos correu até Davi Zebedeu na trilha de cima. Quando o garoto contou a Davi o que havia acontecido, ambos apressaram-se de volta até as tendas dos apóstolos adormecidos e informaram aos oito sobre a traição ao Mestre e a sua prisão.

Quase no mesmo momento em que os oito apóstolos estavam sendo despertados, aqueles que haviam fugido pela ravina vinham retornando, e eles todos se reuniram perto da prensa de olivas para debater sobre o que deveriam fazer. Nesse meio tempo, Simão Pedro e João Zebedeu, escondidos entre as oliveiras, haviam já partido atrás da multidão de soldados, guardas e servos, que agora levavam Jesus de volta a Jerusalém, como se conduzissem um criminoso disposto a tudo. João acompanhou a multidão bem de perto; Pedro, todavia, seguiu-a de longe. Após escapar da garra do soldado, João Marcos cobriu-se com um manto que encontrou na tenda de Simão Pedro e João Zebedeu. Ele suspeitava que os guardas estivessem levando Jesus para a casa de Anás, o sumo sacerdote benemérito; e, assim, contornou por entre o pomar de oliveiras e chegou lá antes da multidão, escondendo-se perto do portão de entrada do palácio do sumo sacerdote.

4. A DISCUSSÃO NA PRENSA DE OLIVAS


Tiago Zebedeu viu-se separado de Simão Pedro e do seu irmão João e, assim, agora unia-se aos outros apóstolos e aos seus companheiros de acampamento, na prensa de olivas, para deliberar sobre o que eles deveriam fazer em vista da prisão do Mestre.

André havia sido liberado de toda a responsabilidade na direção do grupo dos seus companheiros apóstolos; e assim, nesta que era a maior de todas as crises nas suas vidas, ele ficara em silêncio. Depois de uma discussão informal curta, Simão zelote subiu na mureta de pedra da prensa de olivas e, fazendo um apelo apaixonado de lealdade ao Mestre e à causa do Reino, exortou os seus companheiros apóstolos e os outros discípulos a se apressarem em seguir a multidão e efetuar o resgate de Jesus. A maioria do grupo estaria disposta a seguir a sua liderança atuante não fosse o conselho de Natanael, que se levantou no momento em que Simão tinha acabado de falar e chamou a atenção de todos para os ensinamentos tantas vezes repetidos de Jesus a respeito da não-resistência. Ele ainda lembrou-lhes de que Jesus, naquela mesma noite, havia instruído a todos no sentido de que preservassem as suas vidas para a época em que deveriam sair para o mundo, proclamando as boas-novas do evangelho do Reino celeste. E Natanael foi encorajado nessa posição por Tiago Zebedeu, que agora contava a todos como Pedro e outros sacaram das suas espadas para defender o Mestre contra a prisão; e como Jesus pediu a Simão Pedro e aos seus companheiros, com espadas, que embainhassem as suas lâminas. Mateus e Filipe também fizeram discursos, mas nada de definitivo saiu dessa discussão, até que Tomé, chamando a atenção deles para o fato de que Jesus havia aconselhado a Lázaro que não se expusesse à morte, destacou que nada podiam fazer para salvar o seu Mestre, porquanto ele se recusara a permitir os seus amigos de defendê-lo e persistia em abster-se de lançar mão dos seus poderes divinos para frustrar os seus inimigos humanos. Tomé persuadiu-os a espalharem-se, cada homem por si e separadamente, com o acordo de que Davi Zebedeu permanecesse no acampamento, mantendo um centro de coordenação e uma sede central de mensageiros para o grupo. Por volta de duas e meia naquela manhã, o campo estava deserto; apenas Davi permanecia à mão com três ou quatro mensageiros, os outros haviam sido despachados para assegurar a informação sobre o local para onde Jesus fora levado, e quanto ao que pretendiam fazer com ele.

Cinco dos apóstolos, Natanael, Mateus, Filipe e os gêmeos, foram esconder-se em Betfage e na Betânia. Tomé, André, Tiago e Simão zelote estavam escondidos na cidade. Simão Pedro e João Zebedeu seguiram juntos para a casa de Anás.
Pouco depois do amanhecer, Simão Pedro perambulou de volta ao acampamento do Getsêmane: era o retrato desanimado de um profundo desespero. Davi enviou-o, acompanhado por um mensageiro, para juntar-se ao seu irmão, André, que estava na casa de Nicodemos, em Jerusalém.

Até o final da crucificação, João Zebedeu, como Jesus havia instruído que fizesse, permaneceu sempre por perto e à mão; e foi ele que supriu os mensageiros de Davi com as informações de hora em hora, que eles levavam a Davi no acampamento do jardim, e que então eram repassadas aos apóstolos escondidos e à família de Jesus.
Por certo, o pastor foi golpeado e as ovelhas foram dispersadas! Conquanto todos vagamente constatassem que Jesus os tinha advertido, de antemão, exatamente sobre essa situação, estavam todos demasiadamente chocados com o desaparecimento súbito do Mestre, para serem capazes de usar as suas mentes de um modo normal.

Era pouco depois do nascer do dia, e, justamente depois que Pedro havia sido enviado para juntar-se ao seu irmão, quando Judá, o irmão de Jesus na carne, chegou ao campo, quase sem fôlego e, bem antes do resto da família de Jesus, para ficar sabendo apenas que o Mestre tinha sido já colocado na prisão; e ele apressou-se de volta, estrada de Jericó abaixo, para levar essa informação à sua mãe e aos seus irmãos e irmãs. Davi Zebedeu enviou um recado à família de Jesus, por meio de Judá, para que se reunissem na casa de Marta e Maria, na Betânia e para que lá esperassem pelas notícias que os seus mensageiros levariam regularmente a eles.

Essa era a situação durante a segunda metade da noite de quinta-feira e das primeiras horas da manhã da sexta-feira, no que concerne aos apóstolos, aos principais discípulos e à família terrena de Jesus. E o serviço de mensageiros de Davi Zebedeu, continuou operando; da sua sede no acampamento do Getsêmane, ele mantinha todos esses grupos e indivíduos em contato uns com os outros.

5. A CAMINHO DO PALÁCIO DO SUMO SACERDOTE

Antes de partirem do jardim, com Jesus, surgiu, entre o capitão judeu dos guardas do templo e o capitão romano da companhia de soldados, uma discussão sobre o local para onde deviam levar Jesus. O capitão dos guardas do templo deu ordens para que os soldados o levassem a Caifás, o sumo sacerdote em exercício. O capitão dos soldados romanos ordenou que Jesus fosse levado ao palácio de Anás, o antigo sumo sacerdote e sogro de Caifás. E assim foi feito porque os romanos estavam acostumados a lidar diretamente com Anás, e resolver com ele sobre todas as questões que tinham a ver com a aplicação, à força, das leis eclesiásticas judaicas. E as ordens do capitão romano foram obedecidas; eles levaram Jesus à casa de Anás para que este examinasse preliminarmente o caso.

Judas marchava perto dos capitães, escutando tudo o que estava sendo dito, mas não tomou parte na discussão, pois nem o capitão judeu nem tampouco o oficial romano queriam falar com o traidor – de tal modo o desprezavam.

Por volta desse momento João Zebedeu, lembrando-se das instruções do seu Mestre para permanecer sempre por perto e à mão, correu até perto de Jesus enquanto ele caminhava entre os dois capitães. O comandante dos guardas do templo, ao ver João vindo junto com eles, disse ao seu assistente: “Prende esse homem e amarra-o. Ele é um dos seguidores deste homem”. Mas quando o capitão romano ouviu isso e, olhou em volta e viu João, ele deu ordens para que o apóstolo viesse até ele, e que não fosse molestado por ninguém. Então o capitão romano disse ao capitão judeu: “Este homem não é nem um traidor, nem um covarde. Vi-o no jardim, e ele não sacou de uma espada para resistir a nós. Ele teve a coragem de vir aqui para estar com o seu Mestre, e nenhum homem colocará as mãos nele. A lei romana permite que qualquer prisioneiro possa ter ao menos um amigo para acompanhá-lo à barra do tribunal, e este homem não será impedido de permanecer ao lado do seu Mestre, o prisioneiro”. E quando Judas ouviu isso, ficou tão envergonhado e humilhado que retardou o passo e se pôs atrás do grupo, chegando ao palácio de Anás sozinho.

E essa situação explica por que se permitiu a João Zebedeu permanecer perto de Jesus, durante todo o seu caminho de experiências penosas, nessa noite e no dia seguinte. Os judeus ficaram com medo de falar qualquer coisa a João ou de molestá-lo, de qualquer maneira, pois ele havia conseguido algo como o status de um conselheiro romano indicado para atuar como observador das transações da corte eclesiástica dos judeus. A posição privilegiada de João tornou-se ainda mais segura quando, ao entregar Jesus ao capitão dos guardas do templo, na porta do palácio de Anás, o romano, dirigindo-se ao seu assistente, disse: “Vai junto com este prisioneiro e cuida para que esses judeus não o matem sem o consentimento de Pilatos. Vigia para que eles não o assassinem, e cuida para que ao seu amigo, este galileu, seja permitido ficar junto e observar tudo o que acontece”. E assim João capacitou-se para estar perto de Jesus até o momento da sua morte na cruz, enquanto os outros dez apóstolos foram obrigados a permanecer escondidos. João estava agindo sob a proteção romana, e os judeus não ousaram molestá-lo até depois da morte do Mestre.

Em todo o trajeto até o palácio de Anás, Jesus não abriu a boca. Desde o momento da sua prisão até o de apresentar-se diante de Anás, o Filho do Homem não disse uma palavra sequer.

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PERANTE O TRIBUNAL DO SINÉDRIO

Os representantes de Anás haviam instruído secretamente ao capitão dos soldados romanos que trouxesse Jesus ao palácio dele, imediatamente depois de haver feito a sua prisão. O antigo sumo sacerdote desejava manter o seu prestígio de autoridade eclesiástica principal dos judeus. Ele também possuía um outro propósito em deter Jesus na sua casa por várias horas, e que era o de dar tempo para convocar legalmente uma reunião da corte do sinédrio. Não era legal convocar um tribunal do sinédrio antes da hora da oferenda do sacrifício matinal no templo, e esse sacrifício era oferecido por volta das três horas da manhã.

Anás sabia que uma corte de sinedristas estava aguardando no palácio do seu genro, Caifás. Uns trinta membros do sinédrio encontravam-se reunidos na casa do sumo sacerdote por volta da meia-noite, de modo a estarem prontos para julgar Jesus quando ele pudesse ser trazido diante deles. Estavam reunidos apenas os membros que se opunham forte e abertamente a Jesus e aos seus ensinamentos, posto que eram necessários apenas vinte e três deles para que um tribunal de julgamento fosse constituído.

Jesus passou cerca de três horas no palácio de Anás, no monte das Oliveiras, não longe do jardim do Getsêmane, onde o haviam capturado. João Zebedeu estava livre e a salvo no palácio de Anás, não apenas por causa da palavra do capitão romano, mas também porque ele e o seu irmão Tiago eram bem conhecidos dos serviçais mais antigos, havendo sido, muitas vezes, convidados do palácio, pois o antigo sumo sacerdote era um parente distante da mãe deles, Salomé.

1. O INTERROGATÓRIO DE ANÁS

Enriquecido com os impostos do templo, tendo o seu genro como sumo sacerdote em exercício e mantendo lá as suas relações com as autoridades romanas, Anás de fato era o indivíduo mais poderoso da comunidade judaica. Era um planejador e um manipulador político bem formado. Desejava ter o controle dessa questão ligada a Jesus; pois decisões muito importantes ele temia confiá-las integralmente ao seu genro, que era brusco e precipitado. Anás queria assegurar-se de que o julgamento do Mestre fosse mantido nas mãos dos saduceus; temia a possível simpatia de alguns dos fariseus, vendo que praticamente todos os membros do sinédrio, os que haviam esposado a causa de Jesus, eram fariseus.

Anás não via Jesus há vários anos, desde a época em que o Mestre, ao apresentar-se na sua casa, saiu imediatamente dali ao deparar com a frieza e a reserva com que fora recebido. Anás chegou a pensar em prevalecer-se dessa antiga relação e então intentou persuadir Jesus a abandonar as suas pretensões e deixar a Palestina. Ele estava relutante em participar do assassinato de um bom homem e supunha que Jesus chegasse a escolher deixar o país em lugar de ter de submeter-se à morte. Mas, quando Anás se pôs diante do valente e decidido galileu, ficou logo sabendo que seria inútil fazer tais propostas. Jesus estava ainda mais majestoso e bem equilibrado do que antes, segundo Anás conseguia recordar-se dele.

Quando Jesus era jovem, Anás tivera um grande interesse por ele, mas agora, as suas rendas sendo ameaçadas por aquilo que Jesus havia feito, muito recentemente, afastando os cambistas e outros comerciantes do templo. Esse ato de Jesus havia despertado a inimizade do antigo sumo sacerdote, muito mais do que os seus ensinamentos.

Anás adentrou-se na sua espaçosa sala de audiências, sentou-se em uma grande cadeira e mandou que Jesus fosse trazido diante dele. Após observar silenciosamente o Mestre por uns momentos, ele disse: “Tu compreendes que algo deverá ser feito quanto aos teus ensinamentos, já que estás perturbando a paz e a ordem do nosso país”. E quando Anás olhou inquisidoramente para Jesus, o Mestre examinou fundo nos olhos dele, mas sem dar nenhuma resposta. De novo Anás falou: “Quais são os nomes dos teus discípulos, além de Simão zelote, o agitador?” De novo Jesus olhou-o de cima para baixo, mas nada respondeu.

Anás ficou consideravelmente perturbado com a recusa de Jesus a responder às suas perguntas, tanto que lhe disse: “Tu te importas com o quanto estou sendo amigável contigo, ou não? Não tens nenhum respeito pelo poder que eu detenho para definir sobre as questões do teu futuro julgamento?” Depois de ouvir isso, Jesus disse: “Anás, sabes que poderias não ter nenhum poder sobre mim se assim não fosse permitido pelo meu Pai. Alguns gostariam de destruir o Filho do Homem porque são ignorantes, de nada sabem direito, mas tu, amigo, tu sabes o que estás fazendo. Como podes, pois, rejeitar a luz de Deus?”

A maneira amável com a qual Jesus falou a Anás quase o confundiu. Mas ele havia já determinado na sua mente que Jesus devia deixar a Palestina, ou morrer; e assim tomou coragem para perguntar: “O que exatamente estás tentando ensinar ao povo? O que tu alegas ser?” Jesus respondeu: “Tu sabes muito bem o que eu tenho falado abertamente ao mundo. Eu tenho ensinado nas sinagogas e muitas vezes no templo, onde todos os judeus e muitos dos gentios têm ouvido a mim. Nada eu disse secretamente; por que, então, me perguntas sobre os meus ensinamentos? Por que não convocas aqueles que me ouviram e não perguntas a eles? Sabes bem que toda Jerusalém ouviu aquilo que eu disse, ainda que não tenhas ouvido esses ensinamentos por ti mesmo”. Antes, entretanto, que Anás pudesse replicar, o administrador dirigente do palácio, que estava bem perto, estapeou Jesus no rosto com a própria mão, dizendo: “Como ousas responder ao sumo sacerdote com tais palavras?” Anás nada fez para repreender o seu administrador, mas Jesus dirigiu-se a ele, dizendo: “Meu amigo, se o que eu tiver dito é o mal, então dá testemunho contra o mal; mas se eu tiver dito a verdade, por que deverias golpear-me?”

Embora lamentasse que o seu administrador tivesse batido em Jesus, Anás era orgulhoso demais para levar em conta essa questão. Na sua confusão ele retirou-se para uma outra sala, deixando Jesus sozinho com os criados da casa e os guardas do templo por quase uma hora.

Quando voltou, chegando até o lado do Mestre, ele disse: “Tu alegas ser o Messias, o Libertador de Israel?” Disse Jesus: “Anás, tu me conheces desde a época da minha juventude. Sabes que eu não pretendo ser nada, a não ser o que o meu Pai designou para mim; e que eu fui enviado a todos os homens gentios, tanto quanto aos judeus”. Então Anás disse: “Foi dito para mim que tu pretendes ser o Messias; isso é verdade?” Jesus olhou para Anãs; todavia, respondeu apenas: “Assim o disseste tu”.

Por volta desse momento, chegavam mensageiros do palácio de Caifás para perguntar a que horas Jesus seria levado diante da corte do sinédrio e, já que estava próximo o alvorecer do dia, Anás julgou ser melhor enviar Jesus amarrado e sob a custódia dos guardas do templo, até Caifás. Ele próprio seguiu um pouco atrás deles.

2. PEDRO NO PÁTIO

Quando a companhia de guardas e de soldados aproximou-se da entrada do palácio de Anás, João Zebedeu estava caminhando ao lado do capitão dos soldados romanos. Judas havia ficado a uma certa distância para trás, e Simão Pedro estava ainda mais atrás. Depois que João entrou no jardim do palácio, com Jesus e os guardas, Judas veio ao portão, mas, vendo Jesus e João, dirigiu-se para a casa de Caifás, onde sabia que o verdadeiro julgamento do Mestre teria lugar mais tarde. Logo depois que Judas saiu, Simão Pedro chegou e, como ficou diante do portão, João o avistou exatamente quando iam levar Jesus ao palácio. A porteira que tomava conta da entrada conhecia João e, quando este falou com ela, pedindo que deixasse Pedro entrar, ela prontamente consentiu.

Pedro, ao entrar no pátio do jardim, foi até a lareira de carvão, buscando aquecer-se, pois a noite estava muito fria. Ele sentia-se deslocado ali entre os inimigos de Jesus e, de fato, não sentia-se no seu lugar. O Mestre não instruíra a ele que ficasse perto e disponível como pedira a João. Pedro deveria estar com os outros apóstolos, que haviam sido especificamente avisados para não colocar as suas vidas em perigo durante os momentos do julgamento e da crucificação do seu Mestre.

Pedro jogou fora a sua espada pouco antes de chegar ao portão do palácio, de modo que entrou desarmado no jardim de Anás. A sua mente estava em um redemoinho de confusão; e ele mal podia conceber que Jesus havia realmente sido preso. Não captava a realidade da situação – que ele estava ali no jardim de Anás, aquecendo-se diante dos serviçais do sumo sacerdote. Ficava imaginando o que os outros apóstolos estariam fazendo e, ao revolver na sua mente como é que João havia sido admitido no palácio, concluiu que isso se devesse ao fato de João ser conhecido dos servos, já que havia pedido à porteira para deixa-lo entrar.

Pouco depois que a porteira deixou Pedro entrar e, enquanto ele estava aquecendo-se junto à lareira, ela chegou perto dele e disse maliciosamente: “Não és também tu um dos discípulos deste homem?” Ora, Pedro não devia ter-se surpreendido com esse reconhecimento, pois fora João que havia requisitado da moça que o deixasse passar pelo portão do palácio; mas Pedro estava em um estado tal de tensão nervosa que essa identificação como um discípulo deixou-o desequilibrado e, com um só pensamento dominando a sua mente – o de escapar com vida –, prontamente ele respondeu à pergunta da porteira dizendo: “Não, eu não sou”.

Logo em seguida um outro serviçal veio a Pedro e perguntou: “Eu não te vi no jardim, quando eles prenderam este homem? Não és um dos seus seguidores?” Pedro estava agora profundamente alarmado; ele não via nenhum modo de escapar com segurança desses acusadores; e, assim, veementemente negou qualquer ligação com Jesus, dizendo: “Eu não conheço este homem, e não sou um dos seus seguidores”.

Nesse momento a porteira chamou Pedro a um lado e disse: “Eu estou certa de que tu és um discípulo desse Jesus, não apenas porque um dos seus seguidores pediu-me que te deixasse entrar aqui no jardim, mas a minha irmã aqui tem te visto no templo com esse homem. Por que negas isso?” Quando Pedro ouviu a criada acusá-lo, ele negou qualquer ligação com Jesus, com muito praguejar e com juramentos, dizendo novamente:
“Eu não sou um seguidor deste homem; eu sequer o conheço; eu nunca ouvi falar dele antes”.

Pedro saiu de perto da lareira, por um momento, enquanto caminhava pelo jardim. Ele bem gostaria de ter fugido dali, mas temia atrair as atenções sobre si. Sentindo frio, voltou para perto da lareira, e um dos homens ali perto disse: “Certamente tu és um dos discípulos deste homem. Esse Jesus é galileu, e a tua fala te trai, pois também falas como um galileu”. E novamente Pedro negou qualquer ligação com o seu Mestre.

Pedro estava tão perturbado que buscou escapar do contato com os seus acusadores, saindo de perto do fogo e permanecendo só próximo à entrada. Depois de uma hora nesse isolamento, a porteira e a sua irmã tiveram a oportunidade de passar por ele, e ambas de novo acusaram-no de modo provocador de ser um seguidor de Jesus. E de novo ele negou a acusação. E, exatamente depois de haver negado uma vez mais qualquer ligação com Jesus, o galo cantou; e Pedro lembrou-se das palavras de aviso faladas a ele pelo seu Mestre, mais cedo naquela mesma noite. Enquanto ele estava ali, de coração pesado e esmagado pelo sentimento de culpa, as portas do palácio abriram-se para que passassem os guardas que levavam Jesus até a casa de Caifás. Quando o Mestre passou por Pedro, ele viu, sob a luz dos tocheiros, a marca de desespero no rosto, anteriormente tão seguro de si mesmo e aparentemente valente, do apóstolo, e voltando-se Jesus olhou para Pedro. Pedro jamais se esqueceu daquele olhar enquanto viveu. Eram olhas de piedade misturada a um amor tal que nenhum homem mortal jamais contemplou na face do Mestre.

Depois que Jesus e os guardas passaram para fora dos portões do palácio, Pedro seguiu-os, mas só até uma certa distância. Ele não conseguia ir adiante. Sentou-se ao lado da estrada e chorou amargamente. E depois de ter derramado essas lágrimas de agonia, Pedro se pôs de pé a caminhar para o acampamento, esperando encontrar o seu irmão André. Ao chegar no acampamento, encontrou apenas Davi Zebedeu, que enviou um mensageiro para conduzi-lo até onde o seu irmão estava escondido em Jerusalém.

Toda experiência de Pedro aconteceu no jardim do palácio de Anás, no monte das Oliveiras. Ele não seguiu Jesus ao palácio do sumo sacerdote Caifás. O fato de Pedro haver sido levado à constatação, pelo canto de um galo, de que havia negado repetidamente ao seu Mestre, indica que tudo isso ocorreu fora de Jerusalém, pois era contra a lei manter criações domésticas de aves dentro da cidade propriamente dita.

Antes que o cantar do galo tivesse levado Pedro de novo ao seu bom senso, ele havia pensado apenas, enquanto andava, a fim de se aquecer, para cima e para baixo, da entrada do palácio à lareira, em quão espertamente se havia esquivado das acusações dos serviçais; e em como ele havia frustrado o propósito deles de identificá-lo com Jesus. Até então, Pedro havia considerado apenas que esses servos não possuíam nenhum direito moral ou legal de questioná-lo assim, e repetidamente havia congratulado-se a si próprio pela maneira com a qual julgava haver evitado ser identificado e, possivelmente, submeter-se a ser preso. E não ocorrera a Pedro, antes do galo cantar, que ele havia negado ao seu Mestre. E só quando Jesus olhou para ele é que deu por si, que tinha deixado de estar à altura dos seus privilégios de embaixador do Reino.

Havendo dado o primeiro passo, ao longo do caminho do compromisso e da menor resistência, não parecia a Pedro que houvesse outra saída a não ser continuar no curso da conduta pela qual havia optado. É necessário um caráter grande e nobre para, havendo começado errado, voltar e retomar o caminho certo. Com muita freqüência a própria mente tende a justificar a continuidade no caminho do erro, uma vez que se tenha entrado nele.
Pedro nunca acreditou plenamente que pudesse ser perdoado, até haver encontrado o seu Mestre, depois da ressurreição, e constatar que estava sendo recebido exatamente como antes das experiências dessa noite trágica das negações.

3. PERANTE O TRIBUNAL DOS SINEDRISTAS


Eram por volta de três e meia da madrugada, dessa sexta-feira, quando o sacerdote principal, Caifás, declarou constituído o tribunal dos sinedristas, para a investigação; em seguida pedindo que Jesus fosse trazido perante eles para ser julgado formalmente. Em três ocasiões prévias, o sinédrio havia decretado a morte de Jesus; com uma ampla maioria de votos, havia decidido que ele merecia a morte por acusações informais de usurpar a lei, de blasfêmia e de insultar as tradições dos pais de Israel.

Não se tratava de uma reunião do sinédrio convocada regularmente e não estava sendo realizada no local habitual, a sala de pedra lavrada no templo. Esse era um tribunal especial de uns trinta sinedristas e que haviam sido convocados ao palácio do sumo sacerdote. João Zebedeu estava presente junto com Jesus durante este assim chamado julgamento.

Como esses sacerdotes principais, escribas, saduceus e alguns dos fariseus gabavam-se de que Jesus, o perturbador da posição deles e o desafiador da sua autoridade, estava agora detido seguramente nas suas mãos! E estavam decididos a não deixá-lo escapar vivo das suas garras vingativas.

Normalmente, ao julgarem um homem sob uma acusação capital, os judeus procediam com uma grande prudência e providenciavam toda a garantia de eqüidade na seleção de testemunhas e em toda a conduta do tribunal. Mas, nessa ocasião, Caifás se fazia mais de promotor do que um juiz imparcial.
Jesus apareceu perante esse tribunal com as suas vestes habituais e com as suas mãos atadas juntas nas suas costas. Toda a corte estava espantada e um tanto confusa com o seu porte majestoso. Nunca em toda a sua vida haviam colocado os seus olhos sobre um prisioneiro como este, nem presenciado a uma tal compostura em um homem cuja vida estava sob julgamento.

A lei judaica exigia que ao menos duas testemunhas concordassem sobre qualquer ponto, antes que uma acusação pudesse ser feita contra o prisioneiro. Judas não podia ser usado como uma testemunha contra Jesus: pois a lei judaica proibia especificamente que a testemunha fosse um traidor. Mais de vinte testemunhas falsas estavam à mão para atestar contra Jesus, mas os seus testemunhos eram tão contraditórios e tão visivelmente fraudulentos que os próprios sinedristas muito se envergonhavam de toda aquela situação. Jesus permaneceu lá, olhando benignamente para esses perjuros; e, em si, a sua compostura deixava desconcertadas as testemunhas mentirosas. Durante todos esses testemunhos falsos, o Mestre, em nenhum momento, disse uma palavra que fosse; sequer respondeu às várias acusações falsas.

A primeira vez que dois dos testemunhos apresentaram algo como a semelhança de estarem de acordo foi quando dois homens atestaram que haviam ouvido Jesus dizer durante um dos seus discursos no templo que ele “destruiria esse templo feito com as mãos do homem e em três dias faria um outro templo sem empregar mãos humanas”. Isso não era exatamente o que Jesus dissera, independentemente do fato de que ele havia apontado para o próprio corpo ao fazer aquele comentário.

Embora o sumo sacerdote tivesse gritado para Jesus: “Não repondes a nenhuma dessas acusações?” Jesus não abriu a boca. Permaneceu ali em silêncio, enquanto todas essas testemunhas falsas faziam as suas declarações. O ódio, o fanatismo e o exagero inescrupuloso de tal modo caracterizaram as palavras desses perjuros, que os seus testemunhos desmoronavam nos próprios embaraços. O modo melhor para refutar às suas acusações falsas foi o silêncio calmo e majestoso do Mestre.

Pouco depois do início das declarações das testemunhas falsas, Anás chegou e tomou o seu assento ao lado de Caifás. Anás agora se levantava e argumentava que essa ameaça feita por Jesus de destruir o templo era suficiente para justificar três acusações contra ele:

1. Que era ele um perigoso desacreditador para o povo. Que ensinava coisas impossíveis a eles e que os enganava de outros modos.
2. Que era um revolucionário fanático, pois advogava que se colocasse mãos violentas no templo sagrado, ou então como poderia destruí-lo?
3. Que ensinava magia, pois prometera construir um novo templo, e ainda sem a ajuda das mãos.

O sinédrio inteiro já tinha concordado que Jesus era culpado por transgressões das leis judaicas, as quais demandavam a sua morte, mas eles estavam agora mais preocupados em desenvolver acusações a respeito da sua conduta e dos ensinamentos, que servissem como justificativa para que Pilatos pronunciasse a sentença de morte ao prisioneiro. Eles sabiam que deviam assegurar o consentimento do governador romano, antes que Jesus pudesse legalmente ser levado à morte. E Anás estava decidido a continuar a fazer parecer que Jesus era um instrutor perigoso demais para ser deixado em liberdade junto ao povo.

Mas Caifás não podia mais suportar a visão do Mestre ali, com um perfeito domínio de si e em um silêncio inquebrantável. Ele pensava saber ao menos um modo pelo qual o prisioneiro pudesse ser induzido a falar. E assim, ele acorreu até o lado de Jesus e, sacudindo o seu dedo acusador no rosto do Mestre, disse: “Eu te conjuro, em nome do Deus vivo, a que nos diga se és o Libertador, o Filho de Deus”. Jesus respondeu a Caifás: “Eu sou. Logo irei para o Pai, e em breve o Filho do Homem será investido com o poder e uma vez mais terá soberania sobre as hostes do céu”.

O sumo sacerdote, ao ouvir Jesus dizendo essas palavras, ficou excessivamente enraivecido e, rasgando a sua veste externa, exclamou: “Que necessidade temos de mais testemunhos? Vede, agora todos vós ouvistes a blasfêmia deste homem. O que pensais agora que deve ser feito a esse blasfemo e usurpador da lei?” E eles todos responderam em uníssono: “Ele é digno de morte; que seja crucificado”.

Jesus não manifestou nenhum interesse por qualquer pergunta feita a ele, quando diante de Anás ou dos sinedristas, exceto pela pergunta relativa à sua missão de auto-outorga. Quando perguntado: era ele o Filho de Deus; Jesus respondeu instantânea e inequivocamente de modo afirmativo.

Anás desejava que o julgamento continuasse ainda, e que as acusações de uma natureza definida a respeito da relação de Jesus com a lei e com as instituições romanas fossem formuladas para uma apresentação subsequente a Pilatos. Os conselheiros estavam ansiosos para levar essas questões rápidamene a um fim, não apenas porque era o Dia da Preparação para a Páscoa, e nenhum trabalho secular devia ser feito depois do meio-dia, mas também porque eles temiam que Pilatos pudesse a qualquer momento voltar a Cesaréia, capital romana da Judéia, pois estava em Jerusalém apenas para a celebração da Páscoa.

Entretanto, Anás não teve êxito em manter o controle da corte. Depois que Jesus, de um modo inesperado, havia respondido a Caifás, o sumo sacerdote se adiantou e esbofeteou-o no rosto com a própria mão. Anás ficou verdadeiramente chocado quando viu os outros membros da corte, ao passarem por ele, antes de sair da sala, cuspindo no rosto de Jesus, e, muitos deles, de um modo zombeteiro, estapeando-o no rosto com a palma das suas mãos. E assim, em desordem e confusão inauditas, essa primeira sessão do julgamento sinedrista de Jesus terminou, depois das quatro e meia da manhã.

Trinta juízes falsos, cheios de preconceitos e cegos pelas tradições, com as suas testemunhas forjadas, têm a pretensão de julgar o justo Criador de um universo. E esses acusadores extremados ficam exasperados com o silêncio majestoso e com a presença magnífica desse Deus-homem. O seu silêncio é terrível de suportar; a sua palavra é destemidamente desafiante. Ele permanece inarredável diante das ameaças deles e não se intimida com os seus ataques. O homem julga a Deus, e ainda assim Ele os ama e, se pudesse, os salvaria.

4. A HORA DA HUMILHAÇÃO


A lei judaica então exigia que, na questão da declaração da sentença de morte, houvesse duas sessões do tribunal. Essa segunda sessão devia ser efetuada no dia seguinte ao da inicial; e, o tempo entre as duas, os membros do tribunal deveriam passá-lo em jejum e reclusão. Mas esses homens não podiam esperar até o dia seguinte para confirmarem a sua decisão de que Jesus devia morrer. E esperaram apenas uma hora. Nesse meio tempo, Jesus foi deixado na sala do tribunal sob a custódia dos guardas do templo, que, com os servos do sumo sacerdote, se divertiam em lançar todas as espécies de indignidades sobre o Filho do Homem. Zombaram dele, cuspiram nele e esbofetearam-no com crueldade. E batiam-lhe no rosto com um vergalhão e diziam: “Faça uma profecia, tu Libertador, sobre quem foi que bateu em ti”. E assim eles continuaram por uma hora inteira, insultando e maltratando esse homem da Galiléia que não opunha resistência.

Durante essa trágica hora de sofrimento, de provações e de zombaria perante guardas e servos ignorantes e insensíveis, João Zebedeu esperou com um terror solitário em uma sala adjacente. Logo que esses abusos começaram, Jesus indicou a João, com um aceno de cabeça, que ele devia retirar-se. O Mestre bem sabia que, se permitisse ao seu apóstolo permanecer na sala e testemunhar essas indignidades, o ressentimento dentro de João seria tão forte a ponto de produzir uma explosão de indignação e protesto que, provavelmente, resultaria na sua morte.

Durante essa hora terrível, Jesus não murmurou uma palavra sequer. Para essa alma humana branda e sensível, unida, em uma relação de personalidade, ao Deus de todo esse universo, não houve nenhum momento mais amargo, no cálice da sua humilhação, do que essa hora terrível à mercê desses guardas e servos ignorantes e cruéis, que haviam sido estimulados a abusar dele pelo exemplo dos membros desse chamado tribunal sinedrista.

O coração humano, certamente, não pode conceber o estremecimento de indignação que varreu todo um vasto universo, quando as inteligências celestes testemunharam o seu amado soberano sendo submetido à vontade de algumas das suas criaturas, ignorantes e desviadas, na esfera desafortunada e obscurecida pelo pecado, de Urântia.

Qual então é esse vestígio do animal, no homem, que o leva a querer insultar e agredir fisicamente aquilo que não pode alcançar espiritualmente, nem conceber intelectualmente? No homem meio-civilizado espreita ainda uma brutalidade maldosa, que busca liberar-se sobre aqueles que são superiores em sabedoria e em alcance espiritual. Vede a maldosa grosseria e a ferocidade brutal desses homens supostamente civilizados, que sentem uma certa forma de prazer animal com o ataque físico ao Filho do Homem, que não opunha resistência. Enquanto esses insultos, sarcasmos e golpes caíam sobre Jesus, ele não se defendia, mas ele não estava sem defesa. Jesus não foi vencido, ele meramente não lutou no sentido material.

E esses são os momentos das maiores vitórias do Mestre em toda a sua carreira longa e importante de criador, sustentador e salvador de um universo vasto e variegado. Tendo vivido, em sua plenitude, uma vida para revelar Deus ao homem, Jesus está agora engajado em fazer uma revelação, nova e sem precedentes, do homem para Deus. Jesus está agora revelando aos mundos o triunfo final sobre todos os medos do isolamento da personalidade da criatura. O Filho do Homem finalmente conseguiu a realização da identidade como Filho de Deus. Jesus não hesita em afirmar que ele e o Pai são Um; e, na base do fato e da verdade dessa experiência suprema e superna, ele exorta todos os crentes do Reino a tornarem-se um com ele, como ele e o seu Pai são Um. A experiência viva na religião de Jesus, assim, passa a ser a técnica segura e certa por meio da qual os mortais, espiritualmente isolados e cosmicamente solitários, da Terra, tornam-se capazes de escapar do isolamento de personalidade, com todas as suas seqüelas de medo e de sentimentos associados de desamparo. Nas realidades fraternas do Reino do céu, os filhos de Deus pela fé encontram a libertação final do isolamento do eu, tanto pessoal quanto planetariamente. O crente conhecedor de Deus experimenta crescentemente o êxtase e a grandeza da socialização espiritual em uma escala universal – a cidadania no alto, associada à realização eterna do destino divino de alcance da perfeição.

5. A SEGUNDA REUNIÃO DO TRIBUNAL


Às cinco horas e trinta minutos, o tribunal retomou os trabalhos, e Jesus foi levado para a sala adjacente, onde João esperava. Ali o soldado romano e os guardas do templo vigiaram Jesus, enquanto a corte começava a formulação das acusações que deviam ser apresentadas a Pilatos. Anás deixou claro para os seus companheiros que a acusação de blasfêmia não deveria ter nenhuma importância para Pilatos. Judas estava presente durante essa segunda reunião do tribunal, mas não testemunhou.

Essa sessão do tribunal durou apenas meia hora e, quando suspenderam-na, para irem diante de Pilatos, eles haviam delineado a acusação de Jesus, para fazê-lo merecedor da pena de morte, resumindo-a em três motivos:

1. Que era um pervertedor da nação judaica; que enganara o povo e incitara-o à rebelião.
2. Que ensinava o povo a recusar pagar o tributo a César.
3. Que, com a pretensão de ser um rei e fundador de uma nova espécie de reino, incitava à traição contra o imperador.

Todo esse procedimento era irregular e totalmente contrário às leis judaicas. Não havia duas testemunhas que tivessem concordado em qualquer questão, exceto aqueles que testemunharam a respeito da afirmação de Jesus sobre destruir o templo, edificando-o novamente em três dias. E mesmo a respeito desse ponto, nenhuma testemunha falou pela defesa, nem foi Jesus chamado a explicar sobre a intenção do que havia dito.
O único ponto baseado no qual o tribunal poderia tê-lo julgado com consistência teria sido o da blasfêmia, e o julgamento dela teria que repousar inteiramente no próprio testemunho dele. Mesmo no que concernia à blasfêmia, eles deixaram de proceder a uma votação formal sobre a pena de morte.

E, agora, presumiram formular três acusações, com as quais ir perante Pilatos, e sobre as quais nenhuma testemunha tinha sido ouvida, e que foram decididas quando da ausência do prisioneiro acusado. E quando isso foi feito, três dos fariseus deixaram o tribunal; eles queriam ver Jesus destruído, mas não formulariam acusações contra ele sem testemunhas e na sua ausência.
Jesus não apareceu novamente perante o tribunal sinedrista. Eles não queriam ter de olhar novamente para o seu rosto, enquanto julgavam a sua vida inocente. Jesus não sabia (como homem) das acusações formais deles, até tê-las ouvido de Pilatos.

Enquanto Jesus encontrava-se na sala com João e os guardas, e enquanto o tribunal estava na sua segunda sessão, algumas das mulheres do palácio do sumo sacerdote, junto com as suas amigas, vieram para ver o estranho prisioneiro, e uma delas perguntou-lhe: “Tu és o Messias, o Filho de Deus?” E Jesus respondeu: “Se eu te disser, tu não crerás em mim; e se eu te perguntar, tu não responderás”.

Às seis horas naquela manhã Jesus foi levado, da casa de Caifás, para comparecer perante Pilatos, a fim de ver-se confirmada a sentença de morte que esse tribunal sinedrista havia, desse modo injusto e irregular, decretado.

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