((((* "O QUE VEM SEMPRE ESTEVE AQUI, A PAZ ESTA DENTRO DE TI E SO VOCE PODE TOCALA, SER A PAZ SHANTINILAYA, NADA EXTERNO LHE MOSTRARA O QUE TU ES. NADA MORRE POR QUE NADA NASCEU, NADA SE DESLOCA PORQUE NADA PODE SE DESLOCAR VOCE SEMPRE ESTEVE NO CENTRO, NUNCA SE MOVEU , O SILÊNCIO DO MENTAL PERMITE QUE VOCÊ OUÇA TODAS AS RESPOSTAS" *)))): "ESSÊNCIAIS" "COLETÃNEAS " "HIERARQUIA" "PROTOCÓLOS" "VÍDEOS" "SUPER UNIVERSOS" "A ORIGEM" "SÉRIES" .

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Meteorito, Cometa, Ovni, Bola de Fogo ?

Meteorito, Cometa, Ovni, Bola de Fogo ?



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Mensagem em Áudio – Uriel – 20.06.2011

Mensagem em audio de Uriel

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Esse é o primeiro áudio da nova seção “Mensagens em Áudio” que estamos lançando.

A consolidação da idéia surgiu quando da leitura da última mensagem de Uriel. Ele que em suas mensagens nos faz viver, distraindo a nossa mente com palavras e “puxando” a consciência pela vibração. Assim veio a idéia de gravar em áudio suas mensagens, para que ao ouvir a mente fosse apaziguada, tornando desnecessário o esforço da leitura.

Segue abaixo os áudio para ouvir e baixar:




Clique aqui para fazer o download – 10.4mb

Abaixo versão mais leve com qualidade inferior:



Clique aqui para fazer o download – 5.2mb

PAZ

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METATRON - NÃO SE JULGUEM FILHOS - POR ARIANE 30-06-2011

Metatron - Não se julguem filhos - por ariane.

Sou Metatron

E sei como vocês se sentem, filhos,
"às vezes tão longe de alcançarem uma elevação, um padrão vibratório alto, de se manter na Luz".
Não filhos, não é difícil.
Não dêem desculpas.
Percebam a Luz e rejubilem-se.


Se esqueçam dessas pequenas chateações diárias pois elas são tão menores.
Elas tem o tamanho e a força que vocês conferem à elas, filhos.
Percebam o amor nos seus olhos.
Não se deixem envolver pela indiferença dos irmãos sonhadores. Eles não percebem a Luz nos seus olhos. Não se abalem.
Sorriam e continuem sua vida em comunhão com aquilo que você julga verdade em seu coração.
Sinta-o vibrar no fogo ardente do Espírito.
Percebam o quanto vocês mesmos são elevados e se elevem ainda mais.
Assim estaremos numa mesma vibração, amados.

Não duvidem de si mesmos.
Acreditem em si, pois tudo que existe está em vocês, amados.
Assim como em mim.
Aprecio seus esforços.
Espero que não se julguem.
Amem-se ainda mais agora.
Vocês são capazes de mudar vocês mesmos, suas vidas, suas realidades.
Somos Um com o Criador.
Assim o é.
Constatem o que eu vejo, a Luz se multiplicando em vós.
Sim é a Luz.

A Terra, Gaia, precisa ainda de vossa ajuda, de vossa Luz.
Elevem-se e ancorem Luz e estarão prestando seu suporte à Gaia também.
Faz parte de seu chamado, se você sente que deve fazê-lo também.
Amados, isso é tudo por enquanto,
voltarei em breve.
Mas enquanto isso,
preparem-se e sigam o que vocês sentem,
Esse é o farol em meio ao nevoeiro: SEU CORAÇÃO.

Sou Metatron
e Somos Todos Um.

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Serie: (68) A vida e os ensinamentos de Jesus - A crucificação

Serie: (68) A vida e os ensinamentos de Jesus - A crucificação

Esta série foi extraída do Livro de Urântia. Os 77 capítulos, mais de 700 páginas, que ocupam um terço do livro, dão dia a dia, toda a vida de Jesus Cristo desde sua infância. Dão 16 vezes mais informações sobre a vida e os ensinamentos de Jesus do que a Bíblia. É o relato mais espiritual sobre Jesus até hoje escrito.



A CRUCIFICAÇÃO

Após os dois ladrões haverem sido preparados, sob o comando de um centurião, os soldados partiram para o local da crucificação. O centurião encarregado desses doze soldados era o mesmo capitão que havia conduzido os soldados romanos na noite anterior para prender Jesus no Getsêmane. Era costume dos romanos designar quatro soldados para cada pessoa a ser crucificada. Os dois ladrões foram devidamente açoitados antes de serem levados para a crucificação, mas a Jesus nenhuma punição física mais foi dada; o capitão sem dúvida julgou que ele havia já sido suficientemente açoitado, antes mesmo da sua condenação.

Os dois ladrões crucificados com Jesus eram comparsas de Barrabás e, mais tarde, seriam executados até a morte com o seu líder, se este não houvesse sido libertado pelo perdão de Pilatos na Páscoa. Assim, Jesus foi crucificado no lugar de Barrabás.

O que Jesus, agora, está na eminência de realizar, ao submeter-se à morte na cruz, ele o faz segundo a sua própria vontade. Ao predizer essa experiência, ele afirma: “O Pai me ama e me sustenta porque eu estou disposto a entregar a minha própria vida. Mas eu a recuperarei novamente. Ninguém tira a minha vida de mim – eu a entrego por mim mesmo. Tenho autoridade para entregá-la, como tenho autoridade para retomá-la. Recebi esse mandato do meu Pai”.

Era um pouco antes das nove horas dessa manhã quando os soldados saíram do pretório com Jesus, a caminho do Gólgota. E foram seguidos por algumas pessoas que secretamente simpatizavam com Jesus, mas a maior parte desse grupo de duzentas ou mais pessoas era de inimigos seus ou de curiosos vadios que meramente desejavam desfrutar do horror de presenciar as crucificações. Apenas uns poucos líderes judeus foram ver Jesus morrer na cruz. Sabendo que ele havia sido entregue aos soldados romanos, por Pilatos, e que havia sido condenado a morrer, eles ocupavam-se com a sua reunião no templo, onde, por causa de tudo isso, discutiam o que deveria ser feito com os seus seguidores.

1. A CAMINHO DO GÓLGOTA

Antes de deixar o pátio do pretório, os soldados colocaram a viga nos ombros de Jesus. Era costume obrigar o homem condenado a carregar a viga horizontal da cruz até o local da crucificação. Um homem condenado não carregava a cruz inteira, apenas essa travessa menor. As peças mais longas e verticais de madeira, para as três cruzes. haviam sido transportadas para o Gólgota e, quando da chegada dos soldados e dos seus prisioneiros, achavam-se já firmemente fincadas no chão.

De acordo com o costume, o capitão liderava a procissão, e devia carregar pequenas plaquetas brancas nas quais encontravam-se escritos a carvão os nomes dos criminosos e a natureza dos crimes pelos quais eles haviam sido condenados. Para os dois ladrões, o centurião tinha letreiros que traziam os seus nomes, sob os quais estava escrita uma palavra: “Bandido”. Era costume, depois que a vítima havia sido pregada com cravos, à viga horizonal da cruz, e levantada até o seu local na viga vertical, pregar essa tabuleta no alto da cruz, pouco acima da cabeça do criminoso, para que todos os presentes pudessem conhecer o crime pelo qual o homem condenado estava sendo crucificado. A inscrição que o centurião levava para colocar na cruz de Jesus tinha sido escrita pelo próprio Pilatos, em latim, grego e aramaico, e nela se lia: “Jesus de Nazaré – Rei dos Judeus”.

Algumas das autoridades judaicas, que ainda estavam presentes quando Pilatos terminou essa inscrição, fizeram um protesto vigoroso contra chamar Jesus de “rei dos judeus”. Mas Pilatos lembrou-lhes que tal acusação era uma parte da incriminação que causara a condenação dele. Quando os judeus perceberam que não conseguiam impor-se a Pilatos para fazê-lo mudar de idéia, eles demandaram que pelo menos fosse modificada a inscrição, para constar: “Ele disse:‘eu sou o rei dos judeus’”. Pilatos, contudo, manteve-se inflexível; não alteraria a inscrição. A todas as outras súplicas ele apenas respondeu: “O que escrevi, está escrito”.

Normalmente, o costume era ir até o Gólgota pela estrada mais longa, para que um grande número de pessoas pudesse ver o criminoso condenado, mas, nesse dia, eles foram pela estrada mais direta, até o portão de Damasco que conduzia para fora da cidade pelo norte e, seguindo por essa estrada, eles chegaram logo ao Gólgota, o local oficial de crucificação de Jerusalém. Depois do Gólgota ficavam as vilas dos ricos e, do outro lado da estrada, encontravam-se os túmulos de muitos judeus abastados.

A crucificação não era uma forma judaica de punição. Tanto os gregos quanto os romanos aprenderam esse método de execução com os fenícios. Mesmo Herodes, e toda a sua crueldade, não recorreu à crucificação. Os romanos nunca crucificaram um cidadão romano; apenas os escravos e os povos subjugados eram submetidos a esse modo desonroso de morte. Durante o sitiamento de Jerusalém, exatamente quarenta anos depois da crucificação de Jesus, todo o Gólgota esteve coberto por milhares e milhares de cruzes nas quais, dia a dia, a flor da raça judaica pereceu. De fato foi uma colheita terrível pelo que se semeou neste dia.

Enquanto a procissão de morte passava ao longo das ruas estreitas de Jerusalém, muitas das mulheres judias, de coração enternecido, que haviam ouvido as palavras de encorajamento e de compaixão de Jesus, e que conheciam a sua vida de ministério de amor, não conseguiam deixar de chorar quando o viram sendo levado para uma morte tão ignóbil. Enquanto ele passava, muitas dessas mulheres deploravam e lamentavam. E, quando algumas delas ousaram aproximar-se e seguir junto ao seu lado, o Mestre voltou a sua cabeça para elas e disse: “Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, choreis antes por vós próprias e pelos vossos filhos. A minha obra está praticamente finalizada – logo irei para o meu Pai –, mas os tempos de tribulações terríveis para Jerusalém estão apenas começando. Vede, estão chegando os dias nos quais vós devereis dizer: Abençoados sejam as mulheres estéreis e os seios que nunca alimentaram nenhuma criança. Nesses dias vós orareis para que as pedras das montanhas caiam sobre vós, para que possais ser libertadas dos terrores que serão as vossas tribulações”.

Essas mulheres de Jerusalém foram verdadeiramente corajosas ao manifestar simpatia por Jesus, pois era estritamente contra a lei demonstrar sentimentos amistosos por alguém que estava sendo conduzido à crucificação. Ao povaréu era permitido escarnecer, ridicularizar e zombar dos condenados, mas não era permitido que fosse expressa nenhuma simpatia por eles.
Embora apreciasse a manifestação de simpatia, nessa hora escura em que os seus amigos estavam escondidos, Jesus não queria que essas mulheres de corações bondosos caíssem no desagrado das autoridades por ousar demonstrar compaixão por ele. Mesmo em momentos como esses, Jesus pensava pouco em si próprio, pensava mais nos dias terríveis de tragédia que viriam para Jerusalém e para toda a nação judaica.

O Mestre andava penosamente pelo caminho da crucificação, pois ele estava muito cansado, quase exausto. Não tinha tido nem alimento, nem água, desde a Última Ceia na casa de Elias Marcos; nem lhe tinha sido permitido gozar de um momento de sono. Além disso, havia sido realizado um interrogatório atrás do outro, até a hora da sua condenação, para não mencionar os açoites abusivos, o sofrimento físico e a perda de sangue conseqüente. A tudo isso ainda sobrepunham-se uma extrema angústia mental, a sua aguda tensão espiritual e um sentimento terrível de solidão humana.

Pouco depois de passar pelo portão do caminho de saída da cidade, Jesus cambaleou, carregando a viga da cruz, a sua força física momentaneamente diminuiu e ele caiu sob o peso da sua pesada carga. Os soldados gritaram com ele e chutaram-no, mas ele não conseguia levantar-se. Quando o capitão viu isso, sabendo o que Jesus havia já suportado, comandou aos soldados que desistissem. E então ordenou a um transeunte, um tal de Simão de Cirene, que tirasse a viga da cruz dos ombros de Jesus e obrigou-o a carregá-la pelo resto do caminho ao Gólgota.

Esse homem, Simão, tinha vindo da longa estrada de Cirene, no norte da África, para assistir à Páscoa. Ele estava alojado junto com os outros cireneus, no lado de fora dos muros da cidade, e encontrava-se a caminho dos serviços do templo na cidade, quando o capitão romano ordenou que carregasse a viga da cruz de Jesus. Simão permaneceu, durante todas as horas da morte do Mestre na cruz, conversando com muitos dos amigos e inimigos dele. Depois da ressurreição e antes de deixar Jerusalém, ele tornou-se um crente destemido do evangelho do Reino e, quando retornou para o seu lar, ele conduziu a sua família ao Reino celeste. Os seus dois filhos, Alexandre e Rufus, transformaram-se em instrutores muito eficientes do novo evangelho na África. Mas Simão nunca soube que Jesus, cujo fardo ele havia transportado, e o preceptor judeu, que certa vez havia feito amizade com o seu filho ferido, eram a mesma pessoa.

Pouco depois das nove horas, essa procissão de morte chegou ao Gólgota e os soldados romanos puseram-se a pregar os cravos dos dois ladrões e do Filho do Homem nas suas respectivas cruzes.

2. A CRUCIFICAÇÃO


Inicialmente os soldados amarraram os braços do Mestre com cordas à viga da cruz e, então, pregaram-no, pelas mãos, à madeira. Depois de içarem essa viga até o poste, e após haverem-na pregado com segurança na viga vertical da cruz, eles ataram e pregaram os seus pés na madeira, usando de um grande cravo para penetrar ambos os pés. O braço vertical possuía um grande apoio, colocado na altura apropriada, que servia como uma espécie de selim para suportar o peso do corpo. A cruz não era alta, e os pés do Mestre ficaram a um metro apenas do solo. Ele estava possibilitado de ouvir, portanto, tudo o que era dito em menosprezo a ele, e podia ver claramente a expressão nos rostos de todos aqueles que tão impensadamente zombavam dele. E também todos os presentes puderam ouvir facilmente, e na íntegra, o que Jesus disse durante essas horas de prolongada tortura e de morte lenta.

Era costume tirar todas as roupas daqueles que deviam ser crucificados, mas, como os judeus faziam fortes objeções quanto à exposição pública da forma humana desnuda, os romanos sempre providenciavam uma tanga adequada para todas as pessoas crucificadas em Jerusalém. Por isso, depois que as roupas de Jesus foram tiradas, ele ficou vestido desse modo, antes de ter sido colocado na cruz.

Recorria-se à crucificação para infringir uma punição cruel e demorada, a vítima algumas vezes ficava sem morrer por vários dias. Em Jerusalém havia um sentimento considerável de oposição à crucificação, e existia uma sociedade de mulheres judias que sempre enviava uma representante às crucificações, com o propósito de oferecer vinho drogado à vítima para minorar o seu sofrimento. Mas, quando Jesus provou desse vinho narcotizado, mesmo sedento como estava, ele recusou-se a bebê-lo. O Mestre escolheu manter a sua consciência humana até o final. Ele desejava encontrar a morte, ainda que de uma forma cruel e desumana como essa, e conquistá-la pela submissão voluntária à experiência humana plena.

Antes de Jesus ser colocado na cruz, os dois ladrões já tinham sido colocados nas suas cruzes, maldizendo todo o tempo e cuspindo nos seus executores. As únicas palavras de Jesus, quando o pregavam na viga da cruz, foram: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”. Ele não poderia haver intercedido com mais com misericórdia e amor pelos seus executores, se tais pensamentos de devoção afetuosa não tivessem sido o motivo principal de toda a sua vida de serviço não-egoísta. As idéias, os motivos e as aspirações de uma vida são abertamente revelados em uma crise.

Depois de içarem o Mestre à cruz, o capitão pregou o título acima da sua cabeça, e lia-se em três línguas: “Jesus de Nazaré – Rei dos Judeus”. Os judeus ficaram enfurecidos, supondo ser isso um insulto. Pilatos estava agastado com os modos desrespeitosos deles; sentia que havia sido intimidado e humilhado, e escolheu, pois, esse meio para obter uma pequena vingança. Ele poderia ter escrito: “Jesus, um rebelde”. E sabia bem como esses judeus de Jerusalém detestavam até o nome de Nazaré, e estava determinado a humilhá-los assim. Sabia também que se sentiriam feridos no mais fundo de si, ao verem esse galileu executado ser chamado de “Rei dos Judeus”.

Muitos dos líderes judeus, quando souberam como Pilatos havia tentado escarnecer deles, colocando essa inscrição na cruz de Jesus, acorreram ao Gólgota, mas não ousaram tentar retirar a inscrição, pois os soldados romanos estavam de guarda. Não sendo capazes de remover o rótulo, esses líderes misturaram-se à multidão e fizeram o máximo para incitar a ridicularização e a zombaria, a fim de que ninguém levasse a sério a inscrição.

O apóstolo João junto com Maria, a mãe de Jesus, Rute e Judá chegaram ao local pouco depois de Jesus haver sido içado até a posição certa na cruz e exatamente quando o capitão estava pregando a inscrição por sobre a cabeça do Mestre. João foi o único dos onze apóstolos a testemunhar a crucificação e, mesmo assim, não esteve presente todo o tempo, pois logo depois de levar a mãe de Jesus até lá, correu de volta a Jerusalém a fim de buscar a sua própria mãe e as amigas dela.

Quando Jesus viu a sua mãe, com João e o seu irmão e a sua irmã, ele sorriu, mas não disse nada. Nesse meio tempo os quatro soldados designados para a crucificação do Mestre, como era de costume, haviam dividido entre si as roupas dele, um deles pegou as sandálias, um outro o turbante, outro ficou com o cinto e o quarto com o manto. Restava a túnica, uma veste sem costuras que chegava até os joelhos, e que iria ser cortada em quatro pedaços, mas, quando os soldados perceberam quão inusitada era aquela peça de roupa, decidiram disputá-la na sorte. Jesus via-os de cima enquanto dividiam as suas roupas; e a multidão estúpida zombava dele.

Foi bom que os soldados romanos tivessem apropriado-se das roupas do Mestre. De outro modo, se os seus seguidores houvessem conseguido a posse dessas vestes, teriam sido tentados a recorrer à adoração supersticiosa de relíquias. O Mestre desejava que os seus seguidores nada tivessem de material que pudesse associar-se com a sua vida na Terra. Ele queria deixar à humanidade apenas a lembrança de uma vida humana dedicada ao ideal espiritual elevado de ter-se consagrado a fazer a vontade do Pai.

3. OS QUE VIRAM A CRUCIFICAÇÃO


Por volta de nove e meia dessa manhã de sexta-feira, Jesus foi pendurado na cruz. Antes das onze horas, mais de mil pessoas estavam reunidas para assistir ao espetáculo da crucificação do Filho do Homem. Durante essas horas terríveis, as hostes invisíveis de um universo permaneceram em silêncio diante da visão desse extraordinário fenômeno em que o Criador experienciava a morte da criatura; a mais ignóbil, todavia, das mortes de um condenado criminoso.

Perto da cruz, em um momento ou em outro, durante a crucificação, estavam Maria, Rute, Judá, João, Salomé (a mãe de João) e um grupo de mulheres, crentes sinceras, incluindo Maria, a mulher de Clopas e irmã da mãe de Jesus, Maria Madalena e Rebeca, que vivera em Séforis. Esses e outros amigos de Jesus mantiveram-se em silêncio diante da sua grande paciência e fortaleza contemplando os seus sofrimentos intensos.

Muitos dos que passavam por ali balançavam as suas cabeças e proferiam insultos: “Tu que querias destruir o templo e construí-lo novamente em três dias, salva a ti próprio. Se tu és o Filho de Deus, por que não desces da tua cruz?” De um modo semelhante, alguns dos dirigentes dos judeus zombavam dele, dizendo: “Ele salvou os outros, mas quanto a si próprio, não pôde salvar”. Outros comentavam: “Se tu és o rei dos judeus, desce da cruz, e acreditaremos em ti”. E, depois, eles escarneceriam dele mais ainda, dizendo: “Ele confiou em Deus para libertá-lo. Ele até alegava ser o Filho de Deus – olhem para ele, agora –, sendo crucificado entre dois ladrões”. Até os dois ladrões zombavam dele e lançavam censuras sobre ele.

Como Jesus não dava respostas aos insultos, e por que, às onze horas e meia, aquele dia de preparativos especiais estava já quase pela metade, a maior parte da multidão galhofeira e sarcástica havia-se retirado dali; menos do que cinquenta pessoas permaneciam no local. Os soldados agora se preparavam para almoçar e para beber o seu vinho barato e acre, enquanto acomodavam-se para a longa vigília de morte. No momento em que partilhavam o vinho, fizeram ironicamente um brinde a Jesus, dizendo: “Saúde e boa sorte! Ao rei dos judeus”. E ficaram surpreendidos com o olhar tolerante do Mestre diante da ridicularização e zombaria deles.

Quando Jesus os viu comer e beber, olhou para eles e disse: “Tenho sede”. Ao ouvir Jesus dizendo: “tenho sede”, o capitão da guarda tirou um pouco do vinho da sua garrafa e, com a tampa esponjosa saturada do líquido, na ponta de uma lança, levou-a a Jesus para que molhasse os seus lábios secos.

Jesus se propusera viver sem recorrer ao seu poder sobrenatural e, do mesmo modo, escolheu morrer como um mortal comum, na cruz. Ele vivera como um homem e queria morrer como um homem – fazendo a vontade do Pai.

4. O LADRÃO NA CRUZ

Um dos bandidos recriminou Jesus, dizendo: “Se tu és o Filho de Deus, por que não salva a ti e a nós?” Todavia, quando ele fez essa reprovação a Jesus, o outro ladrão, que muitas vezes havia ouvido o Mestre ensinando, disse: “Não tens nenhum medo, nem de Deus? Não vês que estamos sofrendo justamente pelas nossas ações; e que este homem sofre injustamente? Melhor seria buscarmos o perdão dos nossos pecados e salvação para as nossas almas”. Quando ouviu o ladrão dizendo isso, Jesus voltou o rosto na direção dele e sorriu com aprovação. Quando o malfeitor viu a face de Jesus voltada para ele, tomou coragem e, assoprando sobre a chama vacilante da própria fé, disse: “Senhor, lembra-te de mim quando chegares no teu Reino”. E então Jesus disse: “Em verdade, em verdade, hoje eu te digo que algum dia tu estarás comigo no Paraíso”.

Em meio às dores da morte física, o Mestre ainda teve tempo para dar ouvidos à confissão de fé do bandido crente. Esse ladrão, ao tentar alcançar a salvação, encontrou a sua libertação. Várias vezes, anteriormente, havia sido levado a crer em Jesus, mas só nessas últimas horas de consciência ele voltava-se de todo o coração para o ensinamento do Mestre. Quando viu o modo como Jesus encarava a morte na cruz, esse ladrão não pôde mais opor resistência à convicção de que este Filho do Homem era de fato o Filho de Deus.

Durante esse episódio da conversão do ladrão, feita por Jesus, e da sua recepção ao Reino, o apóstolo João estava ausente, havendo ido à cidade para trazer a sua mãe e as amigas dela até a cena da crucificação. Lucas, posteriormente, ouviu essa história contada pelo capitão romano da guarda, depois de convertido.

O apóstolo João contou sobre a crucificação, como dela lembrava-se dois terços de século depois de ocorrida. Os outros registros foram baseados na descrição feita pelo centurião romano em serviço que, por causa do que viu e ouviu, posteriormente passou a crer em Jesus e veio a pertencer à irmandade plena do Reino do céu na Terra.

Esse homem, o ladrão arrependido, havia levado uma vida de violência e banditismo, conduzido que foi por aqueles que exaltam tal carreira de roubos como um protesto patriótico efetivo contra a opressão política e a injustiça social. E essa espécie de ensinamento, somada ao apelo da aventura, estimulou muitos jovens bem-intencionados a alistarem-se nessas ousadas expedições de saques. Esse jovem chegara a considerar Barrabás um herói. Agora, percebia que se havia equivocado. Ali, na cruz e ao seu lado, ele via realmente um grande homem, um verdadeiro herói. Ali estava um herói que inflamava o seu fervor e inspirava-o em suas idéias mais elevadas, de dignidade moral, e vivificava todos os seus ideais de coragem, de virilidade e de bravura. Ao contemplar Jesus, brotou do seu coração um sentimento irresistível de amor, de lealdade e de verdadeira grandeza.

Qualquer outra pessoa, em meio à multidão zombeteira, que houvesse experimentado o nascimento da fé dentro da sua alma e tivesse feito um apelo à misericórdia de Jesus, teria sido recebida com a mesma consideração afetuosa demonstrada para com o ladrão crente.

Pouco depois da promessa do Mestre, de que se encontrariam algum dia no Paraíso, feita ao ladrão arrependido, João voltou da cidade, trazendo consigo a sua mãe e um grupo de quase doze mulheres crentes. João retomou o seu lugar perto de Maria, mãe de Jesus, dando-lhe apoio. Ao lado dela estava o seu filho Judá. Quando Jesus contemplou essa cena, já era meio-dia e então disse à sua mãe: “Mulher, eis o teu filho!” E falando a João, ele pronunciou: “Meu filho, eis a tua mãe!” E então ele dirigiu-se a ambos, dizendo: “Desejo que partam deste lugar”. E assim João e Judá saíram do Gólgota levando Maria. João conduziu a mãe de Jesus até o local onde se hospedava em Jerusalém, e então se apressou a voltar até a cena da crucificação. Após a Páscoa, Maria voltou para Betsaida, onde viveu na casa de João pelo resto da sua vida natural. Maria não chegou a viver um ano mais, depois da morte de Jesus.

Após a saída de Maria, as outras mulheres afastaram-se até uma pequena distância e ficaram aguardando até que Jesus expirasse na cruz; e continuavam ainda lá quando o corpo do Mestre foi retirado para ser sepultado.

5. A ÚLTIMA HORA NA CRUZ

Embora fosse cedo para acontecer um tal fenômeno, nessa estação do ano, pouco depois das doze horas o céu escureceu em razão do aparecimento de fina areia no ar. O povo de Jerusalém sabia que isso significava a vinda de uma dessas tempestades de areia com vento quente, originária do deserto da Arábia. Antes da uma hora da tarde o céu estava tão escuro que escondia o sol; assim, o resto da multidão apressou-se de volta em direção à cidade. Quando o Mestre entregou a sua vida, pouco depois desse momento, menos do que trinta pessoas estavam presentes ali: apenas os três soldados romanos e um grupo de cerca de quinze crentes. Essas crentes eram todas mulheres, exceto dois deles, Judá, o irmão de Jesus, e João Zebedeu, que voltou à cena um pouco antes do Mestre expirar.

Pouco depois de uma hora da tarde, em meio à escuridão que aumentava e naquela tempestade furiosa de areia, Jesus começou a ter a sua consciência humana em desvanecimento. As suas últimas palavras de misericórdia, de perdão e de conselho tinham sido ditas. O seu último desejo – a respeito de cuidarem da sua mãe – havia sido expresso. Durante essa hora de proximidade da morte, a mente humana de Jesus recorreu à repetição de muitas passagens das escrituras hebraicas, particularmente os salmos. O último pensamento consciente do Jesus humano esteve ocupado com a repetição, na sua mente, de trechos do Livro dos Salmos, conhecidos agora como o vigésimo, o vigésimo primeiro e o vigésimo segundo salmos. Embora os seus lábios freqüentemente se movessem, ele estava muito fraco para proferir as palavras dessas passagens, que ele sabia de cor tão bem e que passavam pela sua mente. Umas poucas vezes apenas, aqueles que permaneciam ali captavam alguma articulação, tal como: “Eu sei que o Senhor salvará seus ungidos”; “A tua mão encontrará todos os meus inimigos” e “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Jesus não teve nem por um momento a mais leve sombra de dúvida de que tinha vivido de acordo com a vontade do Pai; e nunca duvidou de que estava agora entregando a sua vida na carne de acordo com a vontade do Pai. Ele não sentia que o Pai o havia abandonado; estava meramente recitando, para a sua consciência, em desvanecimento, muitas das escrituras e, entre elas, esse salmo, o vigésimo segundo, que começa por: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” E aconteceu que essa foi uma das três passagens ditas com clareza suficiente para ser ouvida por aqueles que permaneciam perto dele.

O último pedido que o Jesus mortal fez aos seus semelhantes aconteceu por volta de uma e meia da tarde, quando, por uma segunda vez, ele disse: “Tenho sede”. E o mesmo capitão da guarda novamente umedeceu os lábios dele com a mesma tampa esponjosa umedecida com o vinho acre, comumente chamado de vinagre, naqueles dias.

A tempestade de areia tornou-se mais intensa e os céus escureceram-se fortemente. Os soldados e o pequeno grupo de crentes ainda permaneciam ali. Os soldados acocoraram-se perto da cruz, apertando-se para proteger-se da areia cortante. De onde estavam, a mãe de João e os outros observavam à distância, de um certo modo abrigados por uma rocha saliente. Quando o Mestre finalmente deu o seu último suspiro, ao pé da sua cruz estavam presentes João Zebedeu, o seu irmão Judá, a sua irmã Rute, Maria Madalena e Rebeca, que vivera em Séforis.

Era um pouco antes das três da tarde quando Jesus, com uma voz alta gritou: “Está acabado! Pai, nas tuas mãos, encomendo o meu espírito”. E depois de dizer isso, inclinou a sua cabeça e abandonou a luta pela vida. Quando o centurião romano viu como Jesus morreu, ele bateu no peito e disse: “Este foi de fato um homem reto; verdadeiramente, deve ter sido um Filho de Deus”. E desde aquele momento ele começou a crer em Jesus.

Jesus morreu com nobreza – como tinha vivido. Ele admitiu sem reservas a sua realeza e permaneceu senhor da situação durante todo esse trágico dia. Caminhou voluntariamente para um morte ignominiosa, após haver provido a segurança dos seus apóstolos escolhidos. Soube conter, com sabedoria, a violência encrenqueira de Pedro e providenciou para que João pudesse permanecer junto a ele até o fim da sua existência mortal. Revelou a sua verdadeira natureza ao sinédrio assassino e lembrou a Pilatos a fonte da sua autoridade soberana, como Filho de Deus. Ele partiu para o Gólgota carregando a viga da sua própria cruz e terminou a sua auto-outorga de amor entregando o seu espírito de aquisição mortal ao Pai do Paraíso. Depois de uma vida assim – e de uma tal morte – o Mestre poderia apenas dizer: “Está acabado”.

Como esse era o Dia da Preparação, tanto para a Páscoa quanto para o sábado, os judeus não queriam esses corpos expostos no Gólgota. E, por isso, foram a Pilatos pedir que as pernas desses três homens fossem quebradas e que fossem despachados, sendo tirados das suas cruzes e jogados no fosso dos criminosos, antes do pôr-do-sol. Ao ouvir esse pedido, Pilatos imediatamente enviou três soldados para quebrar as pernas deles e despachar Jesus e os dois bandidos.

Quando esses soldados chegaram ao Gólgota, conseguiram fazer o que lhes havia sido pedido, porém apenas com os dois ladrões; para grande surpresa deles, Jesus já estava morto. Entretanto, para certificar-se da sua morte, um dos soldados cravou a sua lança do lado esquerdo. Embora fosse comum que as vítimas da crucificação permanecessem vivas na cruz por até dois ou três dias, a opressiva agonia emocional e a aguda angústia espiritual de Jesus levaram a sua vida mortal na carne ao fim em menos de cinco horas e meia.

6. APÓS A CRUCIFICAÇÃO

Em meio à escuridão da tempestade de areia, por volta de três e meia da tarde, Davi Zebedeu enviou o último dos mensageiros levando a notícia da morte do Mestre. O último dos seus corredores, ele o despachou para a casa de Marta e Maria, na Betânia, onde ele supunha que a mãe de Jesus estivesse hospedada com o resto da sua família.

Após a morte do Mestre, João mandou as mulheres, a cargo de Judá, para a casa de Elias Marcos, onde passaram o dia de sábado. O próprio João, que a essa altura era bem conhecido do centurião romano, permaneceu no Gólgota até que José e Nicodemos chegassem à cena com uma ordem de Pilatos autorizando-os a tomar posse do corpo de Jesus.

Assim terminou um dia de tragédia e sofrimento para um vasto universo, cujas miríades de inteligências encontravam-se estremecidas com o espetáculo chocante da crucificação do seu amado Soberano em sua encarnação humana, todas elas aturdidas com tamanha exibição de insensibilidade mortal e perversidade humana.

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Serie: (69) A vida e os ensinamentos de Jesus - o periodo dentro da tumba

Serie: (69) A vida e os ensinamentos de Jesus - o periodo dentro da tumba

Esta série foi extraída do Livro de Urântia. Os 77 capítulos, mais de 700 páginas, que ocupam um terço do livro, dão dia a dia, toda a vida de Jesus Cristo desde sua infância. Dão 16 vezes mais informações sobre a vida e os ensinamentos de Jesus do que a Bíblia. É o relato mais espiritual sobre Jesus até hoje escrito.



O PERÍODO DENTRO DA TUMBA

O corpo mortal de Jesus permaneceu durante um dia e meio no sepulcro de José; o período entre a sua morte na cruz e a sua ressurreição é um capítulo pouco conhecido para nós, da carreira terrena de Michael. Podemos discorrer sobre a colocação do Filho do Homem no sepulcro e incluir nesse registro os acontecimentos associados à sua ressurreição, mas não nos é possível proporcionar muita informação de natureza autêntica a respeito do que realmente aconteceu durante esse tempo, de cerca de trinta e seis horas, desde as três horas da tarde da sexta-feira até as três horas da manhã de domingo. Esse intervalo de tempo, na carreira do Mestre, começou pouco antes de haver sido ele descido da cruz pelos soldados romanos. Jesus permaneceu suspenso na cruz por uma hora depois da sua morte. E teria sido retirado mais cedo, caso não houvessem protelado o golpe final nos dois ladrões.

Os dirigentes dos judeus haviam planejado atirar o corpo de Jesus nos fossos abertos de Gehena, ao sul da cidade; era costume desfazer-se assim das vítimas da crucificação. Se esse plano tivesse sido cumprido, o corpo do Mestre teria estado exposto às bestas selvagens.

Nesse meio tempo, José de Arimatéia, acompanhado de Nicodemos, foi até Pilatos para pedir que o corpo de Jesus lhes fosse entregue para um sepultamento adequado. Não era incomum que os amigos das pessoas crucificadas oferecessem subornos às autoridades romanas, para conseguirem o privilégio de ter a posse de tais corpos. José foi diante de Pilatos levando uma grande quantia em dinheiro, caso viesse a ser necessário pagar pela permissão de transladar o corpo de Jesus a um sepulcro privativo. Pilatos, contudo, não quis aceitar dinheiro para isso. Quando ouviu o pedido, rapidamente assinou a ordem que autorizava José a ir ao Gólgota e imediatamente tomar posse plena e completa do corpo do Mestre. Nesse meio tempo, com a tempestade de areia consideravelmente diminuída, um grupo de judeus, representando o sinédrio, havia ido até o Gólgota a fim de certificar-se de que o corpo de Jesus, junto com os dos dois ladrões, havia sido lançado aos fossos públicos abertos.

1. O SEPULTAMENTO DE JESUS

Quando chegaram ao Gólgota, José e Nicodemos encontraram os soldados descendo Jesus da cruz; e os representantes do sinédrio estavam por perto para assegurarem-se de que nenhum dos seguidores de Jesus tentasse impedir que o seu corpo fosse para as covas comuns dos criminosos. Quando José apresentou ao centurião a ordem de Pilatos para que o corpo do Mestre lhe fosse entregue, os judeus criaram um tumulto e reclamaram a sua posse. No seu desvario, eles tentaram apossar-se do corpo de modo violento, mas, ao tentarem fazer isso, o centurião ordenou que quatro dos seus soldados, a seu lado, com as suas espadas desembainhadas, ficassem dois de cada lado rente ao corpo do Mestre que jazia no chão.

O centurião ordenou aos outros soldados que deixassem de lado os dois ladrões e afastassem esse grupo de judeus enfurecidos. Quando a ordem foi restabelecida, o centurião leu a permissão de Pilatos para os judeus e, dando um passo para o lado, disse a José: “Este corpo é teu para que faças com ele o que achares conveniente. Eu e os meus soldados estaremos aqui para assegurar que nenhum homem interfira”.

Uma pessoa crucificada não podia ser enterrada em um cemitério judeu; havia uma lei que proibia estritamente esse procedimento. José e Nicodemos conheciam essa lei e, no caminho de saída do Gólgota, decidiram sepultar Jesus no sepulcro novo pertencente à família de José, cavado em rocha maciça e localizado a uma pequena distância ao norte do Gólgota e do outro lado da estrada que conduzia à Samaria. Ninguém havia sido ainda sepultado nessa tumba e eles julgaram que seria apropriado que o Mestre descansasse ali. José realmente acreditava que Jesus ressuscitaria dos mortos; Nicodemos, entretanto, duvidava muito disso. Esses antigos membros do sinédrio haviam mantido mais ou menos em segredo a sua fé em Jesus, embora os seus companheiros sinedristas há muito suspeitassem deles, antes mesmo de haverem retirado-se do conselho. A partir de então eles foram os discípulos mais declarados de Jesus em toda Jerusalém.

Por volta de quatro e meia da tarde a procissão do enterro de Jesus de Nazaré partiu do Gólgota, em direção ao túmulo de José, do outro lado da estrada. O corpo, envolto em um lençol de linho, foi levado por quatro homens, seguidos pelas mulheres da Galiléia, que se mantiveram fiéis na vigília. Os mortais a carregarem o corpo material de Jesus até o sepulcro foram: José, Nicodemos, João e o centurião romano.

Eles levaram o corpo até dentro da tumba, uma câmara quadrada com cerca de três metros de lado, que prepararam apressadamente para o sepultamento. Os judeus de fato não enterravam os seus mortos; eles os embalsamavam. José e Nicodemos haviam trazido consigo grandes quantidades de mirra e de babosa, e enrolaram o corpo com bandagens saturadas dessas soluções. Quando terminaram de embalsamá-lo, ataram um pano em volta do rosto, envolveram o corpo em um lençol de linho e, com reverência, colocaram-no em uma das plataformas da tumba.

Após colocarem o corpo na tumba, o centurião fez um sinal para que os seus soldados ajudassem a rolar a pedra de fechamento, diante da entrada da tumba. Então alguns dos soldados partiram para Gehena, levando os corpos dos ladrões; enquanto outros voltaram entristecidos para Jerusalém, a fim de observar a festa de Páscoa de acordo com as leis de Moisés.
O sepultamento de Jesus foi feito com uma pressa e uma precipitação incomuns, porque aquele era o Dia da Preparação e o sábado estava aproximando-se rapidamente. Os homens voltaram apressadamente para a cidade; as mulheres, entretanto, permaneceram perto da tumba até que a noite escura houvesse chegado.

Entretanto, enquanto tudo isso estava acontecendo, as mulheres permaneciam escondidas perto e à mão, de modo que viram todas as coisas; e observaram onde o Mestre havia sido sepultado. Escondiam-se assim por não lhes ser permitido participarem junto com os homens de momentos como esses. Essas mulheres achavam que Jesus não havia sido preparado apropriadamente para o sepultamento e, entre si, fizeram um acordo de voltar à casa de José, descansar no sábado, preparar especiarias e unções; e, então, de retornar no domingo pela manhã para preparar o corpo do Mestre de modo apropriado para o descanso da morte. As mulheres que ficaram assim perto da tumba nessa sexta-feira à tarde foram: Maria Madalena, Maria, a esposa de Clopas, Marta, uma outra irmã da mãe de Jesus, e Rebeca, de Séforis.

Com exceção de Davi Zebedeu e José de Arimatéia, poucos dos discípulos de Jesus realmente acreditaram ou compreenderam que ele iria ressuscitar da tumba ao terceiro dia.

2. GUARDANDO A TUMBA


Se os seguidores de Jesus ficaram desatentos à promessa que ele fizera de ressuscitar da cova, ao terceiro dia, os seus inimigos não o estavam. Os sacerdotes principais, os fariseus e os saduceus lembraram de haver recebido relatórios nos quais ele dizia que ressuscitaria dos mortos.

Nessa sexta-feira à noite, depois da ceia de Páscoa, por volta da meia-noite, um grupo de líderes judeus reuniu-se na casa de Caifás e lá discutiram sobre os seus temores a respeito da afirmação do Mestre, de que iria ressuscitar dos mortos ao terceiro dia. Essa reunião terminou com o compromisso de que um comitê de sinedristas visitaria Pilatos, bem cedo no dia seguinte, levando o pedido oficial do sinédrio para que uma guarda romana fosse postada diante da tumba de Jesus a fim de impedir que os seus amigos forçassem a entrada. O porta-voz desse comitê disse a Pilatos: “Senhor, lembramo-nos de que esse farsante, Jesus de Nazaré, disse, quando ainda estava vivo: ‘Após três dias eu ressuscitarei’. E por isso estamos diante de ti a fim de pedir que emitas as ordens para que o sepulcro fique seguro contra os seus seguidores, ao menos até depois do terceiro dia. Tememos muito que os seus discípulos possam vir e levá-lo consigo à noite, e, então, proclamar ao povo que ele ressuscitou dos mortos. Se permitirmos que isso aconteça, terá sido um erro ainda muito pior do que deixar que ele vivesse”.

Ao ouvir esse pedido dos sinedristas, Pilatos disse: “Dar-vos-ei uma guarda de dez soldados. Ide e fazei com que a tumba fique segura”. Eles foram de volta ao templo, recrutaram dez dos próprios guardas, e, então, marcharam para a tumba de José com esses dez guardas judeus e os dez soldados romanos, ainda nesse sábado de manhã, para deixa-los de vigia diante da tumba. Esses homens rolaram uma outra pedra diante da tumba e colocaram o selo de Pilatos nas pedras e em torno delas, para que não fossem mexidas sem o seu conhecimento. E esses vinte homens permaneceram de vigia até a hora da ressurreição, com os judeus levando-lhes comida e bebida.

3. DURANTE O SÁBADO

Durante esse sábado, os discípulos e os apóstolos permaneceram escondidos, enquanto toda Jerusalém falava da morte de Jesus na cruz. Um milhão e meio de judeus, quase, presentes então em Jerusalém nessa ocasião, haviam vindo de todas as partes do império romano e da Mesopotâmia. Era o começo da semana da Páscoa; e todos esses peregrinos que se encontravam na cidade saberiam da ressurreição de Jesus e levariam essa notícia quando voltassem aos seus lares.

Na noite de sábado, bem tarde, João Marcos convocou os onze apóstolos secretamente para virem à casa do seu pai, onde, pouco antes da meia-noite, todos estavam reunidos na mesma sala de cima, onde haviam compartilhado da Última Ceia com o seu Mestre duas noites antes.
Maria, a mãe de Jesus, com Rute e Judá, voltou à Betânia para juntar-se à sua família, antes de escurecer, nessa tarde de sábado. Davi Zebedeu ficou na casa de Nicodemos, onde havia marcado de reunir-se com os seus mensageiros, no domingo pela manhã, bem cedo. As mulheres da Galiléia, que estiveram preparando especiarias, para de novo embalsamar o corpo de Jesus, permaneciam na casa de José de Arimatéia.

Não estamos plenamente habilitados para explicar exatamente o que sucedeu a Jesus de Nazaré durante esse período de um dia e meio, no qual se supõe que ele tenha estado descansando na tumba de José. Aparentemente ele teve, na cruz, a mesma morte natural que qualquer mortal teria tido em circunstâncias semelhantes. Ouvimo-lo dizendo: “Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito”. Contudo, não entendemos plenamente o significado de tal afirmação, pois o seu Ajustador do Pensamento há muito havendo sido personalizado mantinha, por esse fato, uma existência independente do ser mortal de Jesus. De nenhum modo, o Ajustador Personalizado do Mestre poderia ser afetado pela sua morte física na cruz. O que Jesus colocou nas mãos do Pai pode ter sido, ali, naquele momento, a contraparte espiritual do trabalho inicial do Ajustador na espiritualização da mente mortal, de modo a proporcionar uma transferência transcrita da experiência humana de Jesus para os mundos das mansões. Deve ter havido alguma realidade espiritual, na experiência de Jesus, que tenha sido análoga à natureza espiritual, ou alma, dos mortais das esferas, cuja fé é crescente. Entretanto essa é, meramente, a nossa opinião – pois realmente não sabemos o que Jesus encomendou ao seu Pai.

Sabemos que a forma física do Mestre descansou na tumba de José até cerca das três horas na manhã de domingo; não estamos plenamente seguros, todavia, a respeito de qual status teria tido personalidade de Jesus, durante aquele período de trinta e seis horas. Algumas vezes, chegamos a ousar explicar essas coisas para nós próprios, do modo como a seguir está exposto:

1. A consciência de Criador de Michael deve ter estado ampla e totalmente livre e independente da sua mente mortal ligada à encarnação física.

2. Sabemos que o Ajustador do Pensamento que serviu a Jesus esteve presente na Terra durante esse período, pessoalmente encarregado do comando das hostes celestes reunidas.

3. A identidade espiritual, como adquirida pelo homem de Nazaré, e edificada durante a sua vida na carne, inicialmente por meio dos esforços diretos do seu Ajustador do Pensamento e, mais tarde, pelo perfeito ajustamento, feito por ele próprio, entre as necessidades físicas e os quesitos espirituais para a existência mortal ideal, como se tornou concretizada pela sua escolha incessante da vontade do Pai, deve ter sido consignada à custódia do Pai do Paraíso. Se essa realidade espiritual retornou ou não para tornar-se uma parte da personalidade ressuscitada, não sabemos, mas cremos que sim. Neste universo, existem aqueles que sustentam que essa identidade-alma de Jesus esteja agora repousando no “seio do Pai”; para ser, subsequentemente, liberada para liderar o Corpo de Finalidade de Nébadon, no seu destino ainda não desvelado, ligado aos universos incriados, dos reinos ainda não organizados do espaço exterior.

4. Julgamos que a consciência humana ou mortal de Jesus tenha estado adormecida durante essas trinta e seis horas. Temos motivos para crer que o Jesus humano nada soubesse sobre o que estava ocorrendo no universo, durante esse período. Para a consciência mortal, não há registro de lapso de tempo; a ressurreição da vida seguiu ao sono da morte como que no mesmo instante.

E isso parece ser tudo o que podemos colocar nestes registros a respeito do status de Jesus durante esse período na tumba. Há uma série de fatos correlatos, aos quais podemos fazer alusão, embora dificilmente sejamos competentes para intentar interpretá-los.

No vasto pátio das salas de ressurreição do primeiro mundo das mansões de Satânia, pode ser agora vista uma magnífica estrutura memorial material-moroncial conhecida como o “Memorial de Michael”, agora com o selo de Gabriel. Esse memorial foi criado pouco depois de Michael haver partido deste mundo, e ele traz esta inscrição: “Em comemoração à estada mortal de Jesus de Nazaré em Urântia”.

Existem registros comprovando que, durante esse período, o conselho supremo de Sálvington, composto de cem membros, realizou uma reunião executiva em Urântia sob a presidência de Gabriel. Também há arquivos mostrando que os Anciães dos Dias de Uversa comunicaram-se com Michael a respeito do status do universo de Nébadon, durante esse tempo.

Sabemos que ao menos uma mensagem foi passada entre Michael e Emanuel, em Sálvington, enquanto o corpo do Mestre jazia na tumba.
Há bons motivos para acreditar que alguma personalidade assentou-se na posição de Caligástia, no conselho sistêmico dos Príncipes Planetários, em Jerusém, que se reuniu enquanto o corpo de Jesus permanecia na tumba.

Os arquivos de Edêntia indicam que o Pai da Constelação de Norlatiadeque esteve em Urântia; e de ter ele recebido instruções de Michael durante esse tempo na tumba.
E há muitas outras evidências a sugerir que nem toda a personalidade de Jesus esteja estado adormecida e inconsciente durante esse tempo de morte física aparente.

4. O SIGNIFICADO DA MORTE NA CRUZ

Embora não haja sido para expiar uma culpa racial, a qual o homem mortal de fato não tem, que Jesus passou pela morte na cruz; nem para providenciar nenhuma espécie de aproximação efetiva a um Deus de algum modo ofendido e implacável; e embora o Filho do Homem não tenha oferecido a si próprio em sacrifício para apaziguar a ira de Deus, e abrir o caminho para que o homem pecador obtivesse a salvação; não obstante essas idéias de expiação e de propiciação serem errôneas, no entanto, há significações ligadas a essa morte de Jesus na cruz que não deveriam ser negligenciadas. É um fato que Urântia tornou-se conhecida, em outros planetas habitados vizinhos, como o “Mundo da Cruz”.

Jesus desejava viver uma vida mortal plena na carne, em Urântia. A morte é, comumente, uma parte da vida. A morte é o último ato no drama mortal. Nos vossos bem-intencionados esforços de escapar dos erros supersticiosos de uma interpretação falsa do significado da morte na cruz, deveríeis tratar de ter cuidados para não cometer o grande erro de deixar de perceber o verdadeiro significado e a importância autêntica da morte do Mestre.

O homem mortal nunca foi propriedade dos arquifarsantes. Jesus não morreu para resgatar o homem das garras dos governantes apóstatas e dos príncipes caídos das esferas. O Pai nos céus nunca idealizou uma injustiça tão crassa quanto condenar uma alma mortal pelas más ações dos seus ancestrais. Nem a morte do Mestre, na cruz, teria sido um sacrifício que representasse um esforço para pagar a Deus um débito contraído pela raça da humanidade.

Antes de Jesus haver vivido na Terra, talvez poderíeis justificar-vos por crerdes em um Deus assim; mas, não depois de o Mestre ter vivido e morrido entre os seus semelhantes mortais. Moisés ensinou sobre a dignidade e a justiça de um Deus Criador; mas Jesus retratou o amor e a misericórdia do Pai celeste.

A natureza animal – a tendência para as más ações – pode ser hereditária, mas o pecado não é transmitido de pai para filho. O pecado é o ato de rebelião consciente e deliberada, da parte da criatura individual volitiva, contra a vontade do Pai e contra as leis dos Filhos.
Jesus viveu e morreu por um universo inteiro, não apenas pelas raças deste mundo. Se bem que os mortais dos reinos obtivessem a salvação, mesmo antes de Jesus haver vivido e morrido em Urântia, é fato, contudo, que a sua auto-outorga neste mundo iluminou grandemente o caminho da salvação; a sua morte fez muito para deixar definitivamente clara a certeza da sobrevivência dos mortais depois da morte na carne.

Embora muito dificilmente seja adequado falar de Jesus como alguém que se tenha sacrificado, como um resgatador ou um redentor, é totalmente correto referir-se a ele como um salvador. Para sempre ele deixou o caminho da salvação (da sobrevivência) mais claro e certo; ele mostrou, de um modo melhor e mais correto, o caminho da salvação a todos os mortais de todos os mundos do universo de Nébadon.

Uma vez que tenhais captado a idéia de Deus como um Pai verdadeiro e cheio de amor, conceito este que é o único que Jesus sempre ensinou, deveis imediatamente, e com toda a consistência, abandonar, em sua totalidade, todas aquelas noções primitivas sobre Deus como um monarca ofendido, um governante austero e Todo-Poderoso cujo deleite maior é descobrir a vós, súditos Seus, em más ações, e assegurar que sejais adequadamente punidos, a menos que um ser, quase igual a Ele próprio, voluntarie-se para sofrer por vós ou morrer como um substituto e no vosso lugar. Toda a idéia da redenção e da expiação é incompatível com o conceito de Deus, do modo como foi ensinado e exemplificado por Jesus de Nazaré. O amor infinito de Deus não é secundário a nada na natureza divina.

Todo esse conceito de expiação, e da salvação pelo sacrifício, tem as suas raízes e a sua base no egoísmo. Jesus ensinou que o serviço ao semelhante é o conceito mais elevado da fraternidade dos crentes do espírito. A salvação deveria ser tida como certa por aqueles que crêem na paternidade de Deus. A principal preocupação do crente não devia ser o desejo egoísta da salvação pessoal, mas, sim, o impulso não-egoísta de amar ao semelhante e, conseqüentemente, de servir ao próximo como Jesus amou e serviu aos homens mortais.

Os crentes autênticos não se preocupam tanto com as punições futuras para o pecado. O crente real está preocupado apenas com o seu distanciamento momentâneo de Deus. Verdade é que pais sábios podem castigar os seus filhos, mas a tudo isso eles fazem por amor e com o propósito de corrigir. Eles não punem com raiva, nem castigam por represália.
Ainda que Deus fosse um monarca austero e legalizador, de um universo no qual a justiça reinasse suprema, certamente Ele não estaria satisfeito com o esquema infantil de substituir um ofensor culpado por um sofredor inocente.

A grande coisa sobre a morte de Jesus, no que se relaciona ao enriquecimento da experiência humana e à ampliação do caminho da salvação, não é o fato da sua morte, mas antes a maneira magnífica e o espírito sem par com o qual ele enfrentou a morte.

Toda essa idéia da redenção na expiação coloca a salvação em um plano de irrealidade; tal conceito sendo puramente filosófico. A salvação humana é real; é baseada em duas realidades que podem ser captadas pela fé da criatura e daí tornam-se incorporadas à experiência individual humana: o fato da paternidade de Deus e a verdade correlata, da fraternidade dos homens. É verdade, afinal, que sereis “perdoados das vossas dívidas, assim como perdoardes aos vossos devedores”.

5. AS LIÇÕES DA CRUZ

A cruz de Jesus representa a medida plena da devoção suprema do verdadeiro pastor, até mesmo pelos membros indignos do seu rebanho. Ela coloca, para sempre, todas as relações entre Deus e o homem na base da família. Deus é o Pai; o homem é o Seu filho. O amor, o amor de um pai pelo seu filho, torna-se a verdade central nas relações universais de Criador e criatura – não a justiça de um rei que busca a satisfação nos sofrimentos e nas punições do súdito que comete o mal.

A cruz mostra, para sempre, que a atitude de Jesus para com os pecadores não foi nem de condenação nem de indulgência, mas de salvação eterna por amor. Jesus é verdadeiramente um salvador, no sentido de que a sua vida e a sua morte conquistam os homens para a bondade e para a sobrevivência justa. Jesus tanto ama os homens que o seu amor desperta uma resposta de amor no coração humano. O amor é verdadeiramente contagioso e eternamente criativo. A morte de Jesus na cruz exemplifica um amor suficientemente forte e divino para perdoar o pecado e para absorver toda a maldade. Jesus revelou a este mundo uma qualidade mais elevada de retidão do que a justiça – mais que a mera diferença técnica entre o certo e o errado. O amor divino não perdoa os erros meramente; ele absorve-os e, de fato, destrói-os. O perdão do amor transcende totalmente o perdão da misericórdia. A misericórdia põe de lado a culpabilidade do mal; o amor, todavia, destrói o pecado para sempre e toda a fraqueza resultante dele. Jesus trouxe um novo método de viver para Urântia. Ele nos ensinou, não a resistir ao mal, mas a encontrar, por intermédio dele, Jesus, uma bondade que destrói eficazmente o mal. O perdão de Jesus não é a condescendência da remissão; é a salvação da condenação. A salvação não menospreza os erros; endireita-os. O verdadeiro amor não faz concessões nem indulgências ao ódio; ele o aniquila. O amor de Jesus nunca está satisfeito apenas com o mero perdão. O amor do Mestre implica a reabilitação, na sobrevivência eterna. É perfeitamente correto falar de salvação como redenção, se com isso vos referirdes a essa eterna reabilitação.

Com o poder do seu amor pessoal pelos homens, Jesus pôde romper a influência do pecado e do mal. E, com isso, ele libertou os homens para escolher melhores modos de viver. Jesus retratou uma libertação do passado que, em si mesma, promete um triunfo para o futuro. O perdão dado assim provê a salvação. A beleza do amor divino, quando plenamente aceito no coração humano, destrói, para sempre, a fascinação do pecado e o poder do mal.

Os sofrimentos de Jesus não se limitaram à crucificação. Na realidade, Jesus de Nazaré passou mais de vinte e cinco anos na cruz de uma vida mortal intensa e real. O valor real da cruz consiste no fato de que essa foi a expressão suprema e final do seu amor, a completa revelação da sua misericórdia.

Em milhões de mundos habitados, dezenas de trilhões de criaturas em evolução, que podem ter sido tentadas a desistir da luta moral e abandonar a boa luta da fé, lançaram um novo olhar para Jesus na cruz e então continuaram no seu caminho, inspiradas pela visão de Deus entregando a sua vida encarnada em devoção ao serviço não-egoísta do homem.

O triunfo da morte na cruz está resumido no espírito da atitude de Jesus para com aqueles que o atacavam. Ele fez da cruz um símbolo eterno do triunfo do amor sobre o ódio, e da vitória da verdade sobre o mal, quando ele orou: “Pai, perdoa-os, pois eles não sabem o que fazem”. Essa devoção do amor contagiou todo um vasto universo; e os discípulos contraíram-na do seu Mestre. O primeiro instrutor desse evangelho, que foi chamado a entregar a sua vida nesse serviço, disse, quando o apedrejavam até a morte: “Que esse pecado não recaia sobre eles”.

A cruz exerce um apelo supremo sobre o que há de melhor no homem, porque revela alguém que estava disposto a entregar a sua vida no serviço dos seus semelhantes.
Amor maior que esse nenhum homem pode ter: o de alguém que está disposto a entregar a sua vida pelos seus amigos – Jesus tinha o amor que o fazia disposto a entregar a própria vida pelos seus inimigos, um amor maior do que qualquer amor que até então havia sido conhecido na Terra.

Em outros mundos, tanto quanto em Urântia, esse espetáculo sublime da morte do Jesus humano numa cruz no Gólgota estimulou as emoções dos mortais, ao mesmo tempo em que despertou a mais elevada devoção dos anjos.

A cruz é aquele símbolo elevado do serviço sagrado, da devoção da vida de uma pessoa ao bem-estar e à salvação do semelhante. A cruz não é o símbolo do sacrifício do Filho de Deus inocente no lugar dos pecadores culpados, feito para apaziguar a ira de um Deus ofendido. A cruz, ao contrário, permanece para sempre, na Terra e em todo um vasto universo, como um símbolo sagrado dos bons doando a si próprios aos maus e com isso salvando-os por meio dessa mesma devoção de amor. A cruz vale verdadeiramente como insígnia da mais alta forma de serviço generoso, da devoção suprema na doação total de uma vida de retidão ao serviço sincero da ministração, até à morte, a morte na cruz. E a própria visão desse grande símbolo da vida de auto-outorga e de entrega de Jesus nos inspira verdadeiramente, a todos nós, a querer fazer a mesma coisa.

Quando os homens e as mulheres, que sabem pensar, contemplam a Jesus oferecendo a sua vida na cruz, dificilmente se permitirão queixar-se de novo, diante mesmo dos sofrimentos mais severos da vida, e, muito menos, diante de pequenos embaraços e mágoas puramente fictícias. A sua vida foi tão gloriosa e a sua morte tão triunfante que ficamos todos seduzidos e com a disposição de compartilhar de ambas. Toda a doação da auto-outorga de Michael exerce um verdadeiro poder de atração, desde os dias da sua juventude até o espetáculo opressivo da sua morte na cruz.

Então, assegurai-vos de que, ao contemplardes a cruz como uma revelação de Deus, não a enxergueis com os olhos do homem primitivo nem do ponto de vista do homem bárbaro mais recente, que consideravam Deus como sendo um Soberano implacável que exerce uma justiça severa e uma aplicação rígida da lei. Assegurai-vos, antes, de verdes na cruz a manifestação final do amor e a devoção de Jesus à missão da sua vida de auto-outorga às raças mortais do seu vasto universo. Vede na morte do Filho do Homem o auge do desdobramento do amor divino do Pai pelos Seus filhos das esferas mortais. A cruz assim retrata a devoção da vontade afetuosa e a concessão da salvação voluntária àqueles que estão dispostos, por ato de vontade, a receber tais dádivas e tal devoção. Nada há na cruz que tivesse sido pedido pelo Pai – apenas tudo aquilo que Jesus deu, com toda a disposição da sua vontade, e aquilo que se recusou a evitar.

Se o homem não pode valorar Jesus de algum outro modo, nem compreender o significado da sua auto-outorga na Terra, ele pode, ao menos, compreender a irmandade companheira dos seus sofrimentos mortais. Nenhum homem jamais pode temer que o Criador desconheça a natureza ou a extensão das aflições temporais próprias dele.

Sabemos que a morte na cruz não existiu para efetivar a reconciliação do homem com Deus, mas sim para estimular o entendimento que o homem pode ter do amor eterno do Pai e da misericórdia sem fim do seu Filho; e para difundir essas verdades universais a um universo inteiro.

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quarta-feira, 29 de junho de 2011

OS TRÊS DIAS DE ESCURIDÃO MARCARÃO AS PESSOAS QUE PERMANECEREM VIVAS - RAMATIS

Os tres dias de escuridão marcaram as pessoas que permanecerem vivas - ramatis

Nota MM: Ler e padronizar as informações baseado em seus parâmetros e conhecimento de 3D, limitados por esta dimensão, não permite compreender a essência das mensagens que chegam a nós nas mais variadas linguagens. No caso desta, se observarmos atentamente a sua essência e não nos incomodarmos com a sua linguagem de linha espírita, e dirigida àqueles que não são sementes estelares, podemos aprender, e para os mais estudiosos, confirmar muitas informações que já chegaram a nós por outras fontes.



Parte 1


Queridas irmãs, filhas amadas, a paz seja convosco.

Lentamente o eixo da Terra movimenta-se para a total verticalização.

A vida cotidiana das criaturas sobre a Terra não se afetam, e mesmo nas grandes catástrofes, após os primeiros impactos dos cataclismos, a vida segue normal para aqueles que não se viram atingidos por perdas e danos.
Entretanto, paulatinamente, todos os povos do Planeta serão afetados pelas transformações do Globo, até que os seres humanos de todas as latitudes e longitudes terrenas estejam com as vidas completamente modificadas, não mais conseguindo retomar os seus afazeres rotineiros.

Naquela hora, a nuvem escura recobrirá os céus, e as populações sufocadas terão suas vidas ceifadas, devido ao despreparo de suas almas.

Os "Três Dias de Escuridão" marcarão profundamente as almas que permanecerem vivas no plano físico, porém, "os suicídios" centuplicar-se-ão.
A vida na matéria terá novo sentido, diferente daquilo que hoje cultivais: dinheiro, lazer e vícios.
Não importa, humanidade terrena, que acrediteis ou não. Contudo, vosso tempo esgota-se nesta dimensão.

A proximidade do "Astro Intruso" já é sentida, provocando nas criaturas a efervescência de suas más inclinações, pois basta uma fagulha de desentendimento para provocar o barbarismo entre seres humanos.

Milhares de almas, tocadas pela vibração primitiva do Astro Higienizador*, dão vazão aos seus instintos animais, mal contidos em seu íntimo. Para o Astro suas almas são atraídas, pois as Naves Espaciais em comboios têm levado para o exílio, no Planeta Primitivo, as criaturas que com ele sintonizam.

Irmãos, a pressão sobre os direitistas é crescente por parte dos seres contrários à Luz, pois a Besta do Apocalipse pressente sua derrota e tudo fará para permanecer na Terra e dominar sua humanidade.

Crendo ou não nesta realidade, as criaturas que possuem um certo grau de observação, já perceberam que algo anormal ocorre no Planeta e com seus irmãos de humanidade, tendenciosos às más ações, a violência, aos crimes e aos vícios. Notaram, sem compreender, que a Terra e seus habitantes estão em processo de transformação profunda, que o Planeta agita-se em catástrofes cada vez mais intensas, e sua população cada vez mais descrente, materialista, violenta.
Os mesmos que enxergam o óbvio, ainda não conseguiram definir-se como joio ou trigo; contudo, serão arrastados ao exílio,
pois somente é classificado de trigo a criatura que cristianizou-se na prática sincera das Lições do Cristo.

Permanecer nas zonas da "dúvida", arrasta a criatura para o lado dos esquerdistas, disto não tenhais dúvidas.


Nota*: Astro Higienizador = Astro Intruso = Hercólubus

Parte 2

A fé cega, estimulada pelos falsos profetas, arrebatará muitas almas ao exílio, junto com os seus condutores religiosos.

Multiplicam-se as doenças, os desvios morais, as taras, a fome, a miséria e o materialismo, características das humanidades atrasadas em "final de ciclo planetário".

Aqueles que se encontram nas zonas abaixo do Evangelho do Cristo, pressentindo o fim das oportunidades para permanecerem saciando seus desejos vis, debatem-se, mergulhando mais fundo nos desvios e tendências imorais, tornando o ambiente planetário sufocante e opressor para os seguidores dos Ensinamentos de Jesus.
Estes devem fazer maiores esforços para manterem-se em níveis elevados que garanta sua libertação, pois é um trabalhador de última hora que se negou ao trabalho na Seara Divina, por tempo demasiadamente longo.

Definem-se claramente os dois campos de lutas desta etapa final da "transição planetária": o campo da Luz com número reduzido de criaturas, mas com uma potência e força imbatíveis; e o campo das Trevas repleto e abarrotado de seres humanos rebeldes, deformados, decaídos em sua moral e que serão impotentes para impedir o avanço da Luz e sua expansão natural. À medida que o Planeta adentra nova dimensão, eles serão incapazes de impedir o próprio exílio planetário.

A cada dia tornam-se mais ferozes os confrontos entre os Seres da Luz, contra os Seres das Trevas, pois a Besta envia o seu seleto exército, treinado sob sua supervisão, e forjados na escuridão do seu reino.

Irmãos, o Ciclo de Expiação e Provas entra em declínio, e as etapas finais serão marcadas pela força das lutas intensas que travais em vosso íntimo, para merecerdes ascender a um Mundo Melhor.

Do Mestre que vos ama,

Ramatis

Ao GESJ:

O ASJ atrai os servidores do mal que tentam apagar sua Luz, porém, assim deve ser, pois quanto mais se aproximam, mais facilmente são aprisionados e levados para as Naves Prisão, porque se tivésseis que arrancá-los das zonas escuras onde habitam, vossos sofrimentos na matéria seriam maiores.

Sois as "iscas vivas" para atrair aos campos de lutas, os servos da Besta.

Jesus nos guia e Sua Luz protege vossos corpos. Não perecereis se não for da Vontade Maior do Pai, pois nenhuma criatura das trevas terá o poder de interceptar vossos passos, impedindo-vos de cumprir vosso carma.

Salve a Força! Salve a Luz!

Salve o Divino Mestre Jesus!

Ramatis

GESH – 18/06/2011 – Vigília Abrigo Servos de Jesus – Vila Velha, ES – Brasil

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Serie: (66) A vida e os ensinamentos de Jesus - O julgamento diante de pilatos

Serie: (66) A vida e os ensinamentos de Jesus - O julgamento diante de pilatos

Esta série foi extraída do Livro de Urântia. Os 77 capítulos, mais de 700 páginas, que ocupam um terço do livro, dão dia a dia, toda a vida de Jesus Cristo desde sua infância. Dão 16 vezes mais informações sobre a vida e os ensinamentos de Jesus do que a Bíblia. É o relato mais espiritual sobre Jesus até hoje escrito.



O JULGAMENTO DIANTE DE PILATOS

Pouco depois das seis horas dessa manhã de sexta-feira, 7 de abril, do ano 30 d.C., Jesus foi levado perante Pilatos, então procurador romano do governo da Judéia, Samaria e Iduméia, sob a supervisão imediata do emissário da Síria. Amarrado, o Mestre foi levado à presença do governador romano pelos guardas do templo; e estava acompanhado de cerca de cinqüenta dos seus acusadores, incluindo o tribunal sinedrista (principalmente os saduceus), Judas Iscariotes, o sumo sacerdote, Caifás, e o apóstolo João. Anás não apareceu diante de Pilatos.

Pilatos estava de pé e pronto para receber esse grupo de visitantes madrugadores, pois havia sido informado, por aqueles que na noite anterior haviam assegurado o seu consentimento para empregar os soldados romanos na detenção do Filho do Homem, de que Jesus seria trazido perante ele bem cedo. Havia sido arranjado que esse julgamento tivesse lugar em frente ao pretório; uma construção feita em complemento à fortaleza de Antônia, onde Pilatos e a sua esposa possuíam o seu quartel-general, para quando permanecessem em Jerusalém.

Embora Pilatos tenha conduzido grande parte do interrogatório de Jesus, dentro das salas do pretório, o julgamento público foi realizado do lado de fora, nos degraus que levavam à entrada principal. Era uma concessão aos judeus, que se recusaram a entrar em qualquer edifício gentio onde o fermento pudesse ser usado nesse Dia da Preparação para a Páscoa. Essa conduta não apenas os tornaria cerimonialmente impuros, privando-os, portanto, de compartilhar da festa vespertina de ação de graças, como também faria com que fosse necessário que eles se sujeitassem às cerimônias de purificação depois do pôr-do-sol, antes de poderem participar da ceia de Páscoa.

Conquanto esses judeus não tivessem, de nenhum modo, tido a sua consciência perturbada ao fazerem intrigas pare efetivar o assassinato judicial de Jesus, eles enchiam-se de escrúpulos no que dizia respeito a todas essas questões de limpeza cerimonial e de regularidade do cumprimento das tradições. E esses judeus não foram os únicos a deixar de reconhecer as obrigações elevadas e santas de natureza divina, ao darem uma atenção meticulosa mais a coisas de somenos importância para o bem-estar humano, tanto no tempo quanto na eternidade.

1. PÔNCIO PILATOS


Se Pôncio Pilatos não tivesse sido um governador razoavelmente bom das províncias menores, Tibério não o teria suportado como procurador da Judéia por dez anos. Embora fosse um administrador bastante bom, era moralmente covarde. Não era um homem de grandeza suficiente para compreender a natureza da sua tarefa como governador dos judeus. Ele nunca divisou o fato de que esses hebreus possuíam uma religião verdadeira, uma fé pela qual estavam dispostos a morrer; além de haverem milhões e milhões deles, espalhados aqui e ali por todo o império, que encaravam Jerusalém como o santuário da sua fé e tinham um respeito pelo sinédrio como sendo o mais alto tribunal na Terra.

Pilatos não gostava dos judeus, e esse ódio profundo cedo começou a manifestar-se. De todas as províncias romanas, não havia nenhuma mais difícil de governar do que a Judéia. Pilatos nunca compreendeu realmente os problemas que a administração dos judeus abrangia e, assim, muito cedo na sua experiência de governador, ele cometeu uma série de grandes erros quase fatais e praticamente suicidas. E foram tais erros que deram aos judeus um tal poder sobre ele. Quando eles queriam influenciar as suas decisões, tudo o que tinham a fazer era ameaçar com uma revolta, e Pilatos capitulava rapidamente. E essa aparente vacilação, ou falta de coragem moral do procurador, era devida principalmente à memória de um certo número de controvérsias que ele havia mantido com os judeus e porque em todos os casos, categoricamente, eles haviam levado a melhor. Os judeus sabiam que Pilatos sentia medo deles, que ele temia pela própria posição perante Tibério; e eles usaram a consciência disso como desvantagem, contra o governador, em inúmeras ocasiões.

O desagrado que os judeus mantinham para com Pilatos surgiu depois de muitos conflitos infelizes. Primeiro, ele não levou a sério o profundo preconceito deles contra todas as imagens, considerando-as símbolos de adoração idólatra. E, assim, permitiu que os soldados entrassem em Jerusalém sem remover as imagens de César das suas bandeiras, como havia sido a prática dos soldados romanos sob o comando do seu predecessor. Uma grande delegação de judeus aguardou por Pilatos durante cinco dias, implorando-lhe que tirasse essas imagens dos estandartes militares. Ele recusou-se completamente a aceder ao pedido deles e ameaçou-os com a morte imediata. Pilatos, sendo ele próprio um cético, não compreendia que homens com fortes sentimentos religiosos não hesitassem em morrer pelas próprias convicções religiosas; e, pois, ficou consternado quando esses judeus alinharam-se, desafiantes, diante do seu palácio, colocando as suas faces no chão, dizendo que estavam prontos para morrer. Pilatos, só então, compreendeu que havia feito uma ameaça que não estava disposto a cumprir. Ele recuou, ordenou que as imagens fossem removidas dos estandartes dos seus soldados em Jerusalém, e viu-se, daquele dia em diante, sujeito grandemente aos caprichos dos líderes judeus, que desse modo haviam descoberto a sua fraqueza ao fazer ameaças que temia cumprir.

Posteriormente Pilatos determinou reconquistar esse prestígio perdido e assim ele fez os escudos do imperador, tais como eram usados comumente para a adoração de César, serem colocados nas paredes do palácio de Herodes em Jerusalém. Quando os judeus protestaram, ele foi inflexível. Recusou-se a escutar os protestos, e eles, prontamente, apelaram para Roma, e o imperador também prontamente ordenou que os escudos ofensivos fossem removidos. E então Pilatos passou a ser tido com menos apreço ainda do que antes.

Uma outra coisa que o colocou em grande desprestígio, junto aos judeus, foi ele ter ousado retirar dinheiro do tesouro do templo para pagar a construção de um novo aqueduto que daria maior suprimento de água aos milhões de visitantes de Jerusalém na época das grandes festas religiosas. Os judeus sustentaram que apenas o sinédrio poderia desembolsar os fundos do templo, e nunca cessaram de censurar Pilatos por essa ordem abusiva. Nada menos do que vinte tumultos e muito derramamento de sangue resultaram dessa decisão. A última dessas revoltas sérias teve a ver com a matança de um grande grupo de galileus, quando estavam no seu culto no altar.

É significativo que, conquanto esse vacilante dirigente romano haja sacrificado Jesus por causa do seu medo dos judeus, para salvaguardar a sua posição pessoal, ele finalmente tenha sido deposto em consequência de um massacre desnecessário de samaritanos a propósito das pretensões de um falso Messias que liderou tropas até o monte Gerizim, onde pretendia predizer que os vasos do templo estivessem enterrados; e motins ferozes aconteceram quando ele não conseguiu revelar o local onde estava escondido o vasilhame sagrado, como havia prometido. Em conseqüência desse episódio, o embaixador da Síria mandou Pilatos de volta para Roma. Tibério morreu enquanto Pilatos estava a caminho de Roma, e não mais ele foi apontado como procurador da Judéia. Nunca de fato ele recuperou-se completamente da condenação ao pesar, por ter consentido na crucificação de Jesus. Não encontrando prestígio aos olhos do novo imperador, ele afastou-se, indo para a província de Lausane, onde posteriormente cometeu o suicídio.

Cláudia Prócula, a esposa de Pilatos, havia ouvido falar de Jesus por meio de informações da sua camareira, que era uma crente fenícia do evangelho do Reino. Após a morte de Pilatos, Cláudia passou a identificar-se de modo proeminente com a difusão das boas-novas.
E tudo isso explica muito do que aconteceu nessa trágica sexta-feira pela manhã. É fácil compreender por que os judeus tiveram a presunção de dar ordens a Pilatos – fazendo-o levantar-se às seis horas para julgar Jesus – e também por que eles não hesitaram em ameaçar entregá-lo ao imperador, por traição, caso ele ousasse recusar-se a cumprir as exigências deles quanto à morte de Jesus.

Um governador romano condigno, que não se houvesse envolvido de modo desvantajoso com os dirigentes dos judeus, jamais teria permitido a esses fanáticos religiosos, sedentos de sangue, que causassem a morte de um homem que havia declarado, ele próprio, não haver cometido nenhuma falta e ser inocente de falsas acusações. Roma cometeu um erro grave, um erro de conseqüências profundas, nos assuntos da Terra, quando enviou a mediocridade de um Pilatos para governar a Palestina. Tibério teria feito melhor se tivesse enviado aos judeus o melhor administrador de províncias do império.

2. JESUS APRESENTA-SE DIANTE DE PILATOS


Quando Jesus e os seus acusadores haviam-se reunido em frente da sala de julgamento de Pilatos, o governador romano saiu e, dirigindo-se a todos ali reunidos, perguntou: “Que acusação trazeis contra este homem?” Os saduceus e os conselheiros, havendo tomado a si a tarefa de colocar Jesus fora do seu caminho, tinham decidido ir perante Pilatos e pedir a confirmação da sentença de morte pronunciada contra Jesus, evitando querer fazer acusações definidas. E por isso o porta-voz do tribunal sinedrista respondeu a Pilatos: “Se este homem não fosse um malfeitor, nós não o estaríamos entregando a ti”.

Quando Pilatos observou que eles estavam relutantes em afirmar as suas acusações contra Jesus, embora ele soubesse que haviam estado toda a noite deliberando quanto à sua culpa, ele respondeu-lhes: “Já que decidistes por não fazer nenhuma acusação definida, por que não levais este homem para julgá-lo de acordo com as vossas próprias leis?”
O escriturário do tribunal do sinédrio, então, disse a Pilatos: “Não é legal que nós coloquemos qualquer homem sob a pena de morte, e esse perturbador da nossa nação é digno de morrer pelas coisas que ele disse e fez. E por isso viemos diante de ti buscar a confirmação desse decreto”.

Comparecer perante o governador romano com essa tentativa de escapatória revelava, não apenas a malevolência e o mau humor dos sinedristas para com Jesus, mas também a sua falta de respeito pela equidade, a honra e a dignidade de Pilatos. Que afronta a desses cidadãos súditos, a de comparecer diante do seu governador provincial pedindo um decreto de execução contra um homem, antes de assegurar a ele um julgamento justo e sem apresentar sequer acusações criminais definidas contra ele!

Pilatos sabia alguma coisa do trabalho de Jesus entre os judeus, e conjecturava que as acusações possíveis contra ele tivessem a ver com violações das leis eclesiásticas dos judeus; e por isso ele tentou reenviar o caso de volta ao tribunal deles próprios. Novamente, Pilatos deleitou-se de fazer com que eles confessassem publicamente que eram impotentes para pronunciar e executar a sentença de morte, ainda que fosse a um da sua própria raça e a quem eles passaram a desprezar com ódio amargo e invejoso.
Há apenas algumas poucas horas, um pouco antes da meia-noite e após ele ter concedido a permissão de usarem os soldados romanos para efetuar a prisão secreta de Jesus, Pilatos havia ouvido, da sua mulher, Cláudia, mais coisas a respeito de Jesus e dos seus ensinamentos. Cláudia, então quase convertida ao judaísmo, tornou-se mais tarde uma crente convicta do evangelho de Jesus.

Pilatos gostaria de ter adiado essa audiência, mas percebeu que os líderes judeus se encontravam determinados a levar o caso até o fim. Ele sabia que essa manhã não apenas era a de preparação da Páscoa, mas que esse dia, sendo sexta-feira, era também o Dia da Preparação para o sábado judeu, dia de oração e de descanso.

Pilatos, sendo extremamente sensível ao modo desrespeitoso pelo qual esses judeus o haviam abordado, não estava inclinado a aceder às suas demandas para que Jesus fosse sentenciado à morte, sem um julgamento. Depois, portanto, de ter esperado uns momentos para que eles apresentassem as suas acusações contra o prisioneiro, voltou-se para eles e disse: “Eu não sentenciarei este homem à morte sem um julgamento; nem consentirei em interrogá-lo até terdes apresentado as vossas acusações contra ele, por escrito”.
Quando o sumo sacerdote e os outros ouviram Pilatos dizer isso, eles deram um sinal para o escrivão do tribunal, que por sua vez passou às mãos de Pilatos as acusações escritas contra Jesus. E essas acusações eram:

“O tribunal sinedrista considera este homem como um malfeitor e perturbador da nossa nação, pois é culpado de:

1. Subverter a nossa nação e incitar o nosso povo à rebelião.
2. Proibir o povo de pagar o tributo a César.
3. Chamar a si próprio de rei dos judeus e de pregar a fundação de um novo reino”.

Jesus não havia sido julgado de maneira regulamentar, nem fora legalmente considerado culpado por nenhuma dessas acusações. Ele nem pudera ouvir tais incriminações quando pela primeira vez foram feitas, mas Pilatos o havia trazido do pretório, onde estivera sob a custódia dos guardas, e insistia que essas acusações fossem repetidas diante de Jesus.

Ao ouvir essas acusações, Jesus bem sabia que não havia sido interrogado sobre tais questões perante o tribunal judaico. E tampouco João Zebedeu e os próprios acusadores nada sabiam de tudo isso. Mas Jesus não respondeu a essas denúncias falsas. Mesmo quando Pilatos ordenou que ele respondesse aos seus acusadores, ele não abriu a boca. Pilatos estava tão atônito com a injustiça de todo o procedimento, e tão impressionado com o comportamento silencioso e magistral de Jesus, que decidiu levar o prisioneiro para dentro da sala e interrogá-lo em privacidade.

Pilatos estava com a mente confundida, no seu coração estava receoso dos judeus e poderosamente incitado, no seu espírito, com o espetáculo da presença de Jesus ali, majestosamente de pé, perante os seus acusadores sedentos de sangue e contemplando-os de cima, não com desprezo silencioso, mas com uma expressão de piedade genuína e de afeição pesarosa.

3. O INTERROGATÓRIO PRIVADO FEITO POR PILATOS


Pilatos levou Jesus e João Zebedeu até uma sala privada, deixando os guardas do lado de fora, na ante-sala; e, uma vez ali, pediu ao prisioneiro para sentar-se e, sentando-se ao seu lado, fez várias perguntas. Começou a sua conversa com Jesus, assegurando-lhe que não acreditava na primeira acusação contra ele: de ser um pervertedor da nação e um incitador de rebeliões. Então Pilatos perguntou: “Tu ensinaste, alguma vez, que se deveria recusar a pagar os tributos a César?” Jesus, apontando João, disse: “Pergunta a ele ou a qualquer homem que tenha ouvido aos meus ensinamentos”. Então, Pilatos perguntou a João sobre essa questão do tributo; e João testificou a respeito do ensinamento do seu Mestre e explicou que Jesus e os seus apóstolos pagavam os impostos tanto a César quanto ao templo. Pilatos, após fazer a João aquela pergunta, disse: “Trata de não contar a nenhum homem que eu te dirigi a palavra”. E João nunca revelou nada sobre essa questão.

Pilatos, então, voltou-se para fazer a Jesus outras perguntas: “E agora sobre a terceira acusação contra ti: de que és o rei dos judeus?” Já que havia um tom, na voz de Pilatos, de que essa fosse uma pergunta possivelmente sincera, Jesus sorriu para o procurador e disse: “Pilatos, perguntas isso por ti mesmo, ou trazes essa pergunta dos outros, dos meus acusadores?” Depois disso, em um tom meio indignado, o governador respondeu: “Acaso sou judeu? O teu próprio povo e os sacerdotes principais entregaram-te e me pediram para sentenciar-te à morte. Eu questiono a validade das acusações deles; e estou apenas tentando saber por mim mesmo o que fizeste. Dize-me, tu afirmaste que és o rei dos judeus e tentaste fundar um novo reino?”

Nisso disse Jesus a Pilatos: “Não percebes que o meu Reino não é deste mundo? Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus discípulos certamente lutariam para que eu não fosse entregue nas mãos dos judeus. A minha presença aqui diante de ti, de mãos atadas, é suficiente para mostrar a todos os homens que o meu Reino é um domínio espiritual, como a fraternidade dos homens que se tornaram filhos de Deus, pela fé e pelo amor. E essa salvação é para os gentios, tanto quanto para os judeus”.

“Então, afinal, és um rei?” Perguntou Pilatos. E Jesus respondeu: “Sim, eu sou tal rei, e o meu Reino é a família, pela fé, dos filhos do meu Pai que está no céu. Com esse propósito eu nasci neste mundo, para que pudesse mostrar o Pai a todos os homens e dar o testemunho da verdade de Deus. E, ainda agora, eu declaro a ti que todo aquele que ama a verdade ouve a minha voz”.
Nesse momento Pilatos, como que meio ridicularizando e meio com sinceridade, disse: “Verdade? O que é a verdade – quem sabe?”

Pilatos não foi capaz de penetrar nas palavras de Jesus, nem foi capaz de compreender a natureza do seu Reino espiritual, mas agora ele estava certo de que o prisioneiro nada tinha feito para ser merecedor da sentença de morte. Um olhar sobre Jesus, face a face, era suficiente para convencer, até mesmo a um Pilatos, de que aquele homem brando e cansado, entretanto majestoso e justo, não era nenhum revolucionário indômito e perigoso, aspirando estabelecer-se no trono temporal de Israel. Pilatos pensou haver compreendido alguma coisa daquilo que Jesus quis dizer quando chamou a si próprio de rei, pois estava familiarizado com os ensinamentos dos estóicos, os quais afirmavam que “o homem sábio é um rei”. Pilatos estava profundamente convencido de que, em vez de ser um perigoso instigador de sedições, Jesus era, nada mais e nada aquém de um visionário inofensivo, um inocente fanático.

Após interrogar o Mestre, Pilatos voltou até os sacerdotes principais e acusadores de Jesus e disse: “Já interroguei este homem, e não encontro nenhum erro nele. Não o julgo culpado das acusações que fizestes contra ele; penso que deveria ser liberado”. E quando os judeus ouviram isso, eles encolerizaram-se enormemente, tanto que gritaram ferozmente que Jesus deveria morrer; e um dos sinedristas ousadamente subiu ao lado de Pilatos, dizendo: “Este homem incita o povo; começou pela Galiléia e continuará por toda a Judéia. Ele é um promotor de desordens e um malfeitor. Tu lamentarás muito se deixares este homem perverso sair livre”.

Pilatos viu-se em apuros sem saber o que fazer com Jesus; por isso, quando os ouviu dizendo que ele começara a sua obra na Galiléia, pensou, para evitar a responsabilidade de decidir sobre o caso, ou ao menos para ganhar tempo e pensar, em enviar Jesus para comparecer perante Herodes, que então se encontrava na cidade para a Páscoa. Pilatos também pensou que esse gesto poderia ajudar, como um antídoto para o rancor que existia há algum tempo entre ele próprio e Herodes, devido aos numerosos mal-entendidos sobre questões de jurisdição.

Pilatos, chamou os guardas e disse: “Este homem é galileu. Levai-o imediatamente a Herodes e, depois que ele o houver interrogado, informai-me sobre as suas conclusões”. E eles levaram Jesus a Herodes.

4. JESUS DIANTE DE HERODES

Permanecendo em Jerusalém, Herodes Antipas ocupava o velho palácio Macabeu de Herodes, o Grande; e, para essa casa do antigo rei, Jesus estava agora sendo levado pelos guardas do templo. Ele foi seguido pelos seus acusadores e por uma multidão que crescia. Herodes há muito havia ouvido falar de Jesus, e estava bastante curioso a respeito dele. Quando o Filho do Homem foi posto diante dele, nessa sexta-feira pela manhã, o perverso idumeu não se lembrou, sequer por um instante, do jovem de anos anteriores que comparecera perante ele, em Séforis, pleiteando uma decisão justa a respeito do dinheiro devido ao seu pai, acidentalmente morto durante o trabalho em um dos prédios públicos. Ao que sabia, Herodes nunca havia visto Jesus, embora tivesse estado muito preocupado, por causa dele, quando a sua obra esteve centrada na Galiléia. Agora que se encontrava sob a custódia de Pilatos e dos judeianos, Herodes estava desejoso de vê-lo, sentindo-se seguro contra qualquer problema com ele, no futuro. Herodes tinha ouvido muita coisa sobre os milagres operados por Jesus, e realmente esperava vê-lo fazer alguma coisa prodigiosa.

Quando trouxeram Jesus diante de Herodes, o tetrarca ficou assombrado com a sua aparência imponente e com a serenidade do seu semblante. Durante uns quinze minutos Herodes fez perguntas a Jesus, mas o Mestre não respondeu. Herodes escarneceu dele, desafiando-o a fazer um milagre, mas Jesus nada responderia às suas muitas inquirições, nem reagiria aos seus sarcasmos.

Então, Herodes voltou-se para os sacerdotes principais e para os saduceus e, escutando as acusações deles, ouviu a tudo o que Pilatos havia escutado e mais, a respeito das supostas maldades feitas pelo Filho do Homem. Finalmente, estando convencido de que Jesus não iria falar com ele, nem operar nenhum prodígio, Herodes, após tentar ridicularizá-lo por um certo tempo, colocou sobre ele um antigo manto real de cor púrpura e enviou-o de volta a Pilatos. Herodes sabia que a jurisdição, sobre Jesus na Judéia, não era dele. Embora estivesse contente de crer que, finalmente, se veria livre de Jesus na Galiléia, estava grato pelo fato de que seria Pilatos quem teria a responsabilidade de enviá-lo à morte. Herodes nunca se tinha recuperado completamente do medo que o amaldiçoava, em consequência de haver matado João Batista. Algumas vezes, Herodes havia até mesmo temido que Jesus pudesse ser João ressuscitado dos mortos. Agora, ele sentia-se aliviado desse medo, pois pôde observar que Jesus era um tipo de pessoa muito diferente do profeta feroz e franco que ousou denunciar e expor a sua vida privada.

5. JESUS DE VOLTA DIANTE DE PILATOS

Quando os guardas trouxeram Jesus de volta a ele, Pilatos saiu para os degraus da frente do pretório, onde o seu assento de julgamento havia sido colocado e, reunindo os sacerdotes principais e sinedristas, disse-lhes: “Vós trouxestes este homem a mim sob acusações de que ele subverte o povo, proíbe o pagamento de impostos, e pretende ser o rei dos judeus. Eu interroguei-o e não o considerei culpado dessas acusações. De fato, não vejo transgressões nele. Depois, eu o enviei a Herodes, e o tetrarca deve haver chegado à mesma conclusão, pois o enviou de volta para nós. Certamente, nada merecedor da sentença de morte foi cometido por este homem. Se ainda pensais que ele necessita ser castigado, estou disposto a puni-lo antes de libertá-lo”.

No exato momento em que os judeus estavam prontos para começar a gritar em protesto contra a libertação de Jesus, uma vasta multidão veio aproximando-se do pretório com o propósito de pedir a Pilatos a libertação de um prisioneiro, em honra da comemoração da Páscoa. Durante algum tempo fora costume do governador romano permitir aos populares escolher algum homem prisioneiro ou condenado para receber o perdão na ocasião da Páscoa. E agora que essa multidão tinha vindo diante dele para pedir-lhe a libertação de um prisioneiro, e já que Jesus havia estado tão recentemente nas boas graças das multidões, ocorreu a Pilatos que certamente poderia livrar-se da sua difícil situação, com Jesus, agora como prisioneiro diante do seu assento de julgamento, propondo a essa multidão libertar para eles este homem da Galiléia, em sinal de boa vontade Pascal.

Enquanto a multidão lançava-se para subir a escada do edifício, Pilatos ouvia-a chamando o nome de um tal de Barrabás. Notório agitador político e ladrão assassino, Barrabás era filho de um sacerdote e, recentemente, havia sido preso em flagrante no ato de roubo e assassinato na estrada de Jericó. Esse homem estaria sob a sentença de morte, tão logo terminassem as festividades da Páscoa.

Pilatos levantou-se e explicou à multidão que Jesus havia sido trazido a ele pelos sacerdotes principais, que procuravam condena-lo à morte sob algumas acusações; mas que ele não achava que o homem merecia morrer. Disse Pilatos: “E, portanto, a quem preferiríeis que eu liberte para vós, esse Barrabás, o assassino, ou esse Jesus da Galiléia?” E, depois Pilatos haver dito isso, os sacerdotes principais e os conselheiros sinedristas, todos gritaram com o máximo das suas vozes: “Barrabás, Barrabás!” E, quando o povo viu que os sacerdotes principais estavam decididos a conseguir levar Jesus à morte, rapidamente uniu-se ao pedido da execução dele e todos gritaram bem alto pela libertação de Barrabás.

Há poucos dias, essa mesma multidão havia contemplado Jesus com um respeito temeroso; no entanto a multidão não via com respeito a alguém que, tendo alegado ser o Filho de Deus, se encontrava agora sob a custódia dos sacerdotes e dirigentes principais e, perante Pilatos, sendo julgado com risco de perder a vida. Jesus podia ser um herói aos olhos do povo quando estivera expulsando os cambistas e os comerciantes do templo, mas não ao ser um prisioneiro que não resistia nas mãos dos seus inimigos e em um julgamento sob sentença de morte.

Pilatos ficou indignado ao ver os sacerdotes principais clamando perdão para um assassino notório e ao mesmo tempo gritando para conseguir o sangue de Jesus. Ele viu a malícia e o ódio, percebendo o preconceito e a inveja deles. E por isso disse-lhes: “Como pudestes escolher a vida de um assassino em lugar da vida deste homem cujo pior crime é chamar-se a si próprio, em sentido simbólico, de rei dos judeus?” Essa afirmação de Pilatos, porém, não foi muito sábia. Os judeus eram um povo orgulhoso, por ora sujeito ao jugo político romano, mas esperando pela vinda de um Messias que os libertasse da escravidão gentia, por meio de uma grande demonstração de poder e de glória. Eles ressentiram-se, mais do que Pilatos poderia avaliar, com a insinuação de que este instrutor de maneiras suaves e de estranhas doutrinas, ora sob prisão e acusado de crimes dignos de pena de morte, fosse mencionado como “o rei dos judeus”. Consideravam essa observação como um insulto a tudo o que possuíam como sagrado e honrado na sua existência nacional, e, por isso, todos eles soltaram forte o grito pela libertação de Barrabás e pela morte de Jesus.

Pilatos sabia que Jesus era inocente das acusações apresentadas contra ele e, houvesse ele sido um juiz justo e corajoso, o teria absolvido e libertado. Mas ele estava com medo de desafiar esses judeus furiosos. Enquanto hesitava em cumprir o seu dever, um mensageiro chegou e apresentou a ele uma mensagem selada da sua esposa, Cláudia.

Aos que estavam reunidos diante dele, Pilatos indicou que gostaria de ler uma comunicação, recebida naquele momento, antes de continuar com a questão que tinha diante de si. Ao abrir a carta da sua esposa, Pilatos leu: “Oro para que nada tenhas a ver com este homem inocente e justo a quem eles chamam de Jesus. Eu sofri muito essa noite, em sonho, por causa dele”. Essa nota de Cláudia não apenas perturbou bastante a Pilatos, que por causa disso retardou o julgamento dessa questão, mas, infelizmente, também proporcionou um tempo considerável aos dirigentes judeus para que circulassem livremente pela multidão, incitando o povo a pedir a libertação de Barrabás e clamar pela crucificação de Jesus.

Finalmente, Pilatos voltou a tratar da solução do problema que tinha pela frente, indagando à assembléia mista de dirigentes judeus e à multidão em busca do perdão: “O que devo fazer com aquele que é chamado de rei dos judeus?” E todos gritaram em um só acorde: “Crucifica-o! Crucifica-o!” A unanimidade desse pedido feito por uma multidão com gente de todo tipo espantou o alarmado Pilatos, um juiz injusto e assaltado pelo medo.

Então, uma vez mais Pilatos disse: “Por que crucificaríeis este homem? Que mal ele fez? Quem virá até aqui para testemunhar contra ele?” Mas quando ouviram Pilatos falar em defesa de Jesus, apenas gritaram ainda mais e mais alto:Crucifica-o! Crucifica-o!”

Então, Pilatos apelou ainda uma outra vez, perguntando sobre a libertação de um prisioneiro na Páscoa, dizendo: “Uma vez, eu ainda vos pergunto, qual desses prisioneiros devo libertar para vós, nesta época da vossa Páscoa?” E de novo a multidão berrou: “Dá-nos Barrabás!”

Então Pilatos disse: “Se eu libertar o assassino, Barrabás, o que farei com Jesus?” E, uma vez mais, a multidão esgoelou em uníssono: “Crucifica-o! Crucifica-o!”

Pilatos estava aterrorizado com a insistência do clamor da multidão, agindo sob a liderança direta dos sacerdotes principais e dos conselheiros do sinédrio; e decidiu, contudo, uma vez mais, ao menos, tentar apaziguar a multidão e salvar Jesus.

6. O ÚLTIMO APELO DE PILATOS

Apenas os inimigos de Jesus participavam de tudo o que acontecia, nessa manhã de sexta-feira, diante de Pilatos. Os seus amigos, muitos, ainda não sabiam da sua prisão noturna e do julgamento bem cedo pela manhã, ou estavam escondidos para não serem também apreendidos e julgados merecedores da morte por acreditarem nos ensinamentos de Jesus. Na multidão, que agora clamava pela morte do Mestre, estavam apenas os seus inimigos jurados e o povo que não pensa e se deixa levar facilmente.

Pilatos faria ainda um último apelo à piedade de todos. Estando temeroso de desafiar o clamor dessa multidão desguiada que gritava pelo sangue de Jesus, ele ordenou aos guardas judeus e aos soldados romanos que levassem Jesus e que o açoitassem. Esse foi, em si mesmo, um procedimento injusto e ilegal, pois a lei romana estipulava que apenas os condenados à morte por crucificação ficassem sujeitos a tal flagelo. Os guardas levaram Jesus ao pátio aberto do pretório para esse suplício. Ainda que os seus inimigos não houvessem testemunhado esse açoitamento, Pilatos o fez e, antes que houvessem terminado com esse abuso perverso, mandou aos açoitadores que parassem e indicou que Jesus deveria ser trazido a ele. Depois de atarem Jesus ao poste de flagelo e antes de golpearem-no com os seus chicotes cheios de nódulos, os açoitadores de novo colocaram nele o manto purpúreo e trançaram uma coroa de espinhos para colocá-la sobre a sua fronte. E, depois de pôr na sua mão um talo de cana, simulando um cetro, eles ajoelharam-se diante dele e zombaram, dizendo: “Salve, rei dos judeus!” E cuspiram nele e bateram-lhe no rosto com as próprias mãos. E um deles, antes de voltarem com ele a Pilatos, tomou da mão de Jesus o talo e com ele bateu-lhe na cabeça.

Então Pilatos conduziu para o lado de fora este prisioneiro sangrando e dilacerado e, apresentando-o perante a multidão variegada, disse: “Eis o homem! De novo eu declaro a vós que não vejo nenhum crime nele e, tendo açoitado-o, eu gostaria de libertá-lo”.

E ali estava Jesus de Nazaré, vestido em um velho manto real purpúreo, com uma coroa de espinhos que feria a sua bondosa fronte. O seu rosto estava manchado de sangue e o seu corpo encontrava-se curvado pelo sofrimento e a tristeza. Mas nada pode comover os corações insensíveis daqueles que são vítimas de um ódio emocional intenso e que são escravos do preconceito religioso. A visão dessa cena causou um forte estremecimento nos reinos de um vasto universo, mas não tocou os corações daqueles que tinham as mentes fixas na destruição de Jesus.

Quando se recuperaram do primeiro choque por ver o estado do Mestre, eles apenas gritaram ainda mais alto e mais prolongadamente: “Crucifica-o! Crucifica-o! Crucifica-o!”

E agora Pilatos compreendeu que era inútil apelar para os supostos sentimentos de piedade deles. E, dando um passo adiante, disse: “Percebo que vós estais mesmo decididos que este homem deva morrer, mas o que foi que ele fez para merecer a morte? Quem irá declarar o seu crime?”

Então o próprio sumo sacerdote deu um passo adiante e, subindo até Pilatos, declarou irado: “Temos uma lei sagrada, e por essa lei este homem deve morrer, porque ele se fez passar pelo Filho de Deus”. Quando Pilatos ouviu isso, ficou ainda mais amedrontado, não apenas com os judeus, mas, relembrando-se do bilhete da sua esposa e da mitologia grega, sobre os deuses descendo à Terra, ele temia agora com o pensamento de que Jesus talvez pudesse ser um personagem divino. Acenou para a multidão acalmar-se, enquanto tomava Jesus pelo braço e de novo conduzia-o para dentro do edifício a fim de interrogá-lo outra vez. Pilatos agora estava confundido pelo medo, desnorteado pela superstição e fustigado pela atitude obstinada do povaréu.

7. A ÚLTIMA ENTREVISTA COM PILATOS


Quando, tremendo de emoção atemorizada, assentou-se ao lado de Jesus, Pilatos inquiriu: “De onde vens? Realmente, quem és tu? O que é isso que estão dizendo, que tu és o Filho de Deus?”

Mas Jesus dificilmente podia responder a tais perguntas, pois elas eram feitas por um juiz hesitante, fraco, com medo dos homens e que era injusto a ponto de sujeitá-lo ao açoite, mesmo depois de declarar que ele era inocente de qualquer crime, e antes mesmo de que tivesse sido ele devidamente sentenciado à morte. Jesus olhou para Pilatos bem de frente, mas nada lhe respondeu. Então Pilatos disse: “Tu te recusas a falar comigo? Não consegues perceber que eu ainda tenho o poder de libertar-te ou de crucificar-te?” Então Jesus disse: “Tu não poderias ter nenhum poder sobre mim se isso não fosse permitido de cima. Nenhuma autoridade tu poderias exercer sobre o Filho do Homem, a menos que o Pai no céu o permitisse. Mas não tens tanta culpa, já que ignoras o evangelho. Aquele que me traiu e aquele que me entregou a ti, eles sim cometeram o maior pecado”.

Essa última conversa com Jesus amedrontou profundamente a Pilatos. Esse covarde moral e esse juiz débil agora lidava com o duplo fardo do medo supersticioso de Jesus e do temor mortal dos líderes judeus.

De novo Pilatos apareceu diante da multidão, dizendo: “Estou certo de que esse homem é apenas um transgressor religioso. Devíeis levá-lo e julgá-lo segundo a vossa lei. Por que devíeis esperar que eu consentisse na sua morte por ter ele entrado em choque com as vossas tradições?”

Pilatos estava como que pronto para libertar Jesus quando Caifás, o sumo sacerdote, aproximou-se do covarde juiz romano e, agitando um dedo vingativo no rosto de Pilatos, disse, com palavras iradas, as quais toda a multidão pôde ouvir: “Se libertares esse homem, não és amigo de César; e eu farei com que o imperador saiba de tudo”. Essa ameaça pública era demais para Pilatos. O medo pela sua situação pessoal agora eclipsava quaisquer outras considerações, e o covarde governador ordenou que Jesus fosse trazido diante do assento de julgamento. E enquanto o Mestre permanecia lá diante deles, Pilatos apontou para ele e disse em escárnio, “Aqui está o vosso rei”. E os judeus responderam: “Fora com ele. Crucifica-o!” E então, com muita ironia e sarcasmo, Pilatos disse: “Devo crucificar o vosso rei?” E os judeus responderam: “Sim, crucifica-o! Não temos outro rei além de César”. E foi então que Pilatos compreendeu que não havia esperança de salvar Jesus, já que ele não queria desafiar os judeus.

8. A TRÁGICA CAPITULAÇÃO DE PILATOS

Ali estava o Filho de Deus encarnado como o Filho do Homem. Ele fora preso sem acusação de culpa; acusado sem evidências; julgado sem testemunhas; punido sem um veredicto, e, agora, estava para ser, em breve, condenado a morrer por um juiz injusto que confessava não haver encontrado nenhum erro nele. Se Pilatos pensara em apelar para o patriotismo deles referindo-se a Jesus como o “rei dos judeus”, equivocara-se redondamente. Os judeus não estavam esperando por nenhum rei como esse. A declaração dos sacerdotes principais e dos saduceus: “Não temos nenhum rei a não ser César”, foi um choque até para o povo irrefletido; mas agora, ainda que a multidão ousasse abraçar a causa do Mestre, era tarde demais para salvar Jesus.

Pilatos temia um tumulto ou um motim. Ele não ousaria arriscar-se a ter uma tal perturbação durante a época da Páscoa em Jerusalém. Recentemente havia recebido uma reprimenda de César, e não se arriscaria a receber outra. A multidão aplaudiu quando ele ordenou a libertação de Barrabás. Então, ele ordenou que lhe trouxessem uma bacia e um pouco de água para que, ali mesmo, perante a multidão, ele lavasse as próprias mãos, dizendo: “Sou inocente do sangue deste homem. Estais decididos que ele deve morrer, mas eu não encontrei nenhuma culpa nele. E, pois, cuidai vós disso. Os soldados o levarão”. E então a multidão aplaudiu e replicou: “Que o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos”.

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