((((* "O QUE VEM SEMPRE ESTEVE AQUI, A PAZ ESTA DENTRO DE TI E SO VOCE PODE TOCALA, SER A PAZ SHANTINILAYA, NADA EXTERNO LHE MOSTRARA O QUE TU ES. NADA MORRE POR QUE NADA NASCEU, NADA SE DESLOCA PORQUE NADA PODE SE DESLOCAR VOCE SEMPRE ESTEVE NO CENTRO, NUNCA SE MOVEU , O SILÊNCIO DO MENTAL PERMITE QUE VOCÊ OUÇA TODAS AS RESPOSTAS" *)))): "ESSÊNCIAIS" "COLETÃNEAS " "HIERARQUIA" "PROTOCÓLOS" "VÍDEOS" "SUPER UNIVERSOS" "A ORIGEM" "SÉRIES" .

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

TRABALHADORES DA LUZ EM AÇÃO EM TERESÓPOLIS - MARTIUS DE OLIVEIRA

trabalhadores da luz em açao em teresolpolis



Oi Anthonio, Thais e turma do MM!

Hoje a estratégia da Cruz Vermelha mudou um pouco devido às contingências. O fato é que vai levar meses para a situação se normalizar. Para vocês terem noção, foram tantos deslizamentos de terra obstruindo estradas e destruindo pontes, que a sensação que a gente tem é o de um belo vitral quebrado em mil pedaços. Formaram-se dezenas de pequenos núcleos comunitários isolados. É difiícil dar números mas são virtualmente dezenas e talvez centenas de micro-comunidades de 10, 30, 60 ou mais pessoas isoladas. A dinâmica de cada micro-comunidade varia muito - algumas formam coleções de pessoas extremamente solidárias, amigas e com um tremendo espírito de união, ao passo que outras formam coleções de pessoas que brigam entre si por água, comida, material de limpeza e higiene pessoal.

Para alguns grupos explico a importância deles compartilharem os medicamentos entre si e para minha enorme surpresa houve grupos previamente assistidos por outras equipes médicas que vieram me entregar material excedente para que ele fosse distribuído a outras comunidades desassistidas. Há exemplos belos como este e que ocorreu na comunidade de Pilões em Nova Friburgo ao passo que em uma outra comunidade cuja localidade nem soube o nome, as pessoas se recusavam a levar víveres para umas casinhas um pouco mais distantes.

Choque, medo e desespero, sentimentos perfeitamente compreensíveis, estão sendo uma constante nestas minhas incursões junto com o pessoal do Exército, Polícia Militar de São Paulo, Polícia Militar do Rio, IBAMA, Defesa Nacional, BOPE, Defesa Civil, etc. Fico me perguntando se teria realmente preparo para enfrentar tantas perdas emocionais e materiais quanto estas pessoas. Eu preciso ainda praticar muito o desapego fico pensando comigo. A gente agora está adotando a seguinte estratégia - pacientes de urgência, ou seja, aqueles que podem complicar em 48h se não tiverem acessibilidade a medicamentos, como os pacientes descompensados de hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca, lesões cutânes infectadas, síndromes isquêmicas, etc, estão tendo que ser removidos para os centros urbanos pois a Cruz Vermelha está percebendo que dada a extensão da tragédia não se pode garantir visitas regulares de equipes de assistência de forma confiável.

Muitas comunidades deverão permanecer ainda semanas ou meses sem energia elétrica e telecomunicação. Neste contexto, estou começando a ter uma idéia de itens essências de sobrevivência, como algum combustível para fazer comida, velas e isqueiros, medicamentos essenciais, pastilhas de cloro para higienizar a água, sem falar na comida, enfim... as pessoas nos pedem de tudo, nos entregando listas contendo itens inusitados como desodorante antiperspirante e sementes de girassol para o bichinho de estimação. A gente olha a lista e não julga, bem pelo menos eu, porque fico me imaginando o que é estar sem aquelas pequenas comodidades que a gente toma como certo, tais como chocolate em pó, manteiga, água gelada, refrigerante, toalha de papel, revistas, jornais, etc. As mulheres então ficam numa situação ainda mais delicada pois quem lembra de mandar absorventes ou pílula anticoncepcional nas entregas de víveres? Ou seja, temos um monte de necessidades não-essenciais mas que interferem muito em nossa qualidade de vida.

Hoje eu fui ajudar na remoção de uma senhora diabética e hipertensa descompensada que chorava ao deixar a sua casa e a sua família intactas. À medida em que o helicóptero decolou e começou a sobrevoar a serra, ela começou a ter uma real noção do que havia acontecido e que milhares de pessoas se encontravam em situação igual ou pior que a dela. Ela parou de chorar e ficou olhando reflexiva para a paisagem. No final da viagem, quando chegamos a Teresópolis ela sorria e nos agradecia por ter tido tanta sorte de ter sido transferida para um hospital.

Voltei hoje para o Rio certo de que nesta quinta iria tomar um puta esporro no trabalho por ter faltado tantos dias, apesar do meu chefe ser ultra-compreensivo e a par de tudo sobre transição planetária e... eis que chegando aqui me lembraram de que amanhã é feriado no Rio e não vai ter expediente. Putz! O que fazer? Bem.... subir a serra novamente e por mãos à obra!

Estou conhecendo muitos, muitos, dezenas, centenas de voluntários de todas as idades e de todas as classes sociais e credos. Todos, indiscutivelmente somos trabalhadores da Luz. As pessoas podem achar que estou me sentindo, andando de helicóptero e vestindo jalequinho branco, sendo chamado de doutor aqui e ali, gente me entrevistando etc e tal. Ah.. putz já passei dessa porcaria de ego querendo aparecer.... eu fico feliz mesmo é de ver aquele montão de gente no galpão, donas de casa, crianças, estudantes de enfermagem, senhores aposentados, jovens de riso bonito com a roupa suada e suja de tanto trabalhar, gente humilde e desdentada preparando comida para todo mundo, panificadoras entregando pão quentinho pra gente, motoristas parando para nos deixar atravessar a rua, putz que clima maravilhoso!!! Galera, eu fecho os olhos e a LUZ ambiente me cega a visão e meus olhos se enchem de lágrimas!

Assim pessoal, não é a minha mão que toca os desabrigados, mãos mesquinhas, mãos somente minhas. As mãos que amparam os desabrigados são também suas e de todos os nossos irmãos que se juntam em serviço, em oferta, em pensamento, em prece ou em gratidão. Ter a oportunidade de ser o elo na ponta da corrente não é nenhum privilégio, pois uma corrente só é capaz de sustentar uma jóia quando o último elo se liga ao primeiro e ambos perdem a noção de ordem ou posição. Todos os elos são igualmente importantes. Que bom ser parte da corrente, simplesmente ser parte da corrente!

Namastê.

Martius de Oliveira

http://minhamestria.blogspot.com/

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